Com 1,3 mil mortos, China muda diagnósticos e aprofunda crise política


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O governo da China anunciou que, depois de modificar sua metodologia para diagnosticar e registrar casos do novo coronavirus (que causa a doença Covid-19) em Hubei, foi obrigada a atualizar o número de pessoas infectadas pela doença. A mudança indicou que, de fato, já são quase 60 mil pessoas contaminadas, 14,8 mil a mais do que estava sendo divulgado até ontem.

Além disso, em apenas um dia, 242 novos mortos foram contabilizados, colocando o número total de óbitos em mais de 1.300.

Horas depois, Pequim anunciou a demissão de vários dos principais atores políticos de Hubei e de outras regiões, aprofundando um expurgo de líderes políticos locais que havia começado há três dias.

O poderoso secretário do Partido Comunista em Hubei, Jiang Chaoliang, foi substituído por um antigo aliado do presidente Xi Jinping, Ying Yong.

Em Wuhan, o principal responsável também foi removido e, no início da semana, alguns dos principais representantes do setor da saúde na província perderam seus empregos.

De acordo com as explicações apresentadas pelas autoridades chinesas, a mudança no diagnóstico é uma maneira de garantir que as pessoas possam ser tratadas de forma mais rápida.

Segundo a Comissão de Saúde de Hubei, a contagem agora inclui casos “diagnosticados clinicamente”. As imagens de pulmão em casos suspeitos podem ser consideradas suficientes para diagnosticar o vírus. A mudança seria uma resposta à falta de kits que eram usados para diagnosticar a doença. Sem eles, muitas pessoas contaminadas não podiam ser contabilizadas e nem receber tratamento.

A entidade acrescentou que havia feito a mudança “à medida que nossa compreensão da pneumonia causada pelo novo coronavírus se aprofunda e à medida que acumulamos experiência em diagnóstico e tratamento”.

Mas ela reacendeu os temores de que, na prática, a realidade é ainda desconhecida pelas autoridades. A crise política ocorre dias depois da morte do médico chinês que tentou alertar colegas sobre o surto de coronavírus.

Li Wenliang passou a ser alvo da polícia, que o acusou de espalhar “informações falsas”. Ele acabou sendo obrigado a permanecer em silêncio, sobre o risco de ser levado à Justiça por promover “distúrbios graves à ordem social”.

A situação de Li reabriu o debate sobre a censura no país e fez despertar os temores de que os mesmos erros registrados em 2003 para lidar com a SARS voltem a ocorrer. Naquele momento, o governo impediu a publicação de dados sobre a doença, o que acabou levando a um número inédito de mortes.

Os novos números também colocam uma pressão política sobre a OMS (Organização Mundial de Saúde) que, timidamente, havia comemorado o fato de que os números na China estavam se estabilizando. Ao longo das últimas semanas, a direção da entidade fez questão de elogiar a “transparência” do governo de Pequim.

Agora, a entidade está sendo cobrada a exigir da China respostas claras sobre a situação, além de garantias de transparência. Ainda hoje, a OMS promete realizar uma nova coletiva de imprensa, em Genebra.

Enquanto isso, as medidas de controle da população continuam. Em Hong Kong, as autoridades anunciaram que as escolas ficarão fechadas até meados de março, enquanto em Shiyan só estão autorizados a sair de casa as pessoas envolvidas no combate à doença.

Censura

Nas redes sociais, a morte do médico e agora os novos números foram recebidas com protestos por parte dos chineses, que exigem saber a verdade sobre o que está ocorrendo no país. Mas, imediatamente, hashtags que cobravam transparência por parte do governo foram bloqueadas pelas autoridades.

Na semana passada, uma revista chinesa que publicou uma matéria sobre como nem todos os casos estavam sendo contabilizados teve sua matéria retirada do ar. Não por acaso, a reunião do último fim de semana do Comitê do Partido Comunista, órgão máximo de poder na China, foi concluída com uma decisão clara: “fortalecer o controle sobre a mídia e da Internet”, como forma de lidar com o vírus.

Em parte, a medida tem como objetivo lutar contra a disseminação de fakenews sobre o vírus. Mas entidades de direitos humanos alertam que a iniciativa vai além e passou a ser usada pelo governo para justificar o fechamento de contas e sites na Internet.

Um dia depois, a Administração da China para o Cyberspace declarou que criou um serviço de monitoramento sobre todos os serviços de informação e provedores. A ordem para todos os sites e operadoras é para que “criem um bom ambiente no cyberspace para vencer a batalha contra a epidemia”.

Para o presidente chinês Xi Jinping, o surto ocorre em um momento crítico: a economia do país tem a menor taxa de expansão em anos, a crise em Hong Kong se aprofunda e Pequim também viu a vitória de candidatos independentistas em Taiwan.

A ordem, portanto, é a de conter não apenas o vírus, mas também a narrativa de que a China poderia não dar conta da crise sanitária. Neste sentido, a Organização Mundial da Saúde foi pressionada a não declarar uma emergência global por dias e, quando o fez, realizou o anúncio em meio a elogios exagerados e pouco comuns ao governo de Pequim.

A entidade também insistiu que não era o momento de buscar culpados e que o mundo deveria agradecer aos chineses pelos esforços realizados.

Ao mesmo tempo em que isso era feito, Pequim dava uma demonstração ao mundo de como construir um hospital em apenas dez dias, num gesto divulgado insistentemente nas redes sociais e imprensa internacional. A ordem era a de reverter a narrativa.

Fonte: UOL


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