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“A variante Delta da Covid tem comportamento diferente no Brasil”, diz pesquisador
Maior transmissibilidade é uma das característica da variante Delta Plus, encontrada na Índia
(foto: Pixabay)

 

Apesar do avanço da vacinação, diversos países estão vivendo uma nova onda da Covid-19 causada pela variante Delta, identificada pela primeira vez na Índia. O Brasil, entretanto, ficou de fora da lista. Por aqui, a mutação do coronavírus chegou, instalou-se e vem se tornando cada vez mais comum; esta cepa, porém, não causou uma alta acentuada de casos.

“O Brasil vive um momento epidemiológico peculiar”, explica José Eduardo Levi, coordenador do projeto de vigilância genômica da Dasa, a maior rede particular de laboratórios do país.

“Aqui, houve uma competição inicial entre as variantes Alfa e Gama, um fenômeno completamente brasileiro. Em outros países, a Alfa seguiu o que foi projetado, mas no Brasil ela cresceu e parou. Depois vimos que a Gama entrou no lugar dela e deslocou completamente a Alfa, como não aconteceu em nenhum outro lugar no mundo”, conta o especialista.

Levi afirma que, desde o primeiro momento, não acreditou que a Delta se apresentaria no país com a mesma força que exibiu no resto do mundo. Embora a variante já esteja dominando em São Paulo e no Rio de Janeiro, por enquanto, não é preciso se preocupar com uma terceira onda, segundo o pesquisador.

Isso porque, de acordo com os números absolutos analisados, observa-se a diminuição dos casos de contaminação pela Delta. “Os números frios não mostram uma terceira onda de Delta. Estamos descolados do que acontece em Israel, nos Estados Unidos e no Reino Unido”, pontua.

O pesquisador ressalta que a situação brasileira é diferente – não pela biologia molecular das variantes, mas porque o fluxo de viajantes dentro do Brasil é muito maior do que o internacional. Isso permitiu que o transporte da Gama fosse maior do que o da Alfa.

“A Delta também tem um comportamento diferente aqui. A hipótese que acho mais provável é a de que tivemos uma segunda onda intensa com a Gama em abril e, agora, muita gente com anticorpos está se defendendo bem contra a variante Delta. Outra possibilidade, que é uma teoria minha, é que a Coronavac seja mais eficiente contra a Delta do que as outras vacinas”, pondera.

O especialista lembra que, quando a Delta chegou, houve previsões catastróficas que, até agora, não se confirmaram. “A prova vai ser o feriado de 7 de Setembro e os 15 dias seguintes. Se até o final do mês não observarmos uma subida importante dos casos, significa que passamos pela Delta, e aí vai vir a próxima”, aponta.

Com informações Metrópoles.
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