Deputada do RN chama Bolsonaro de “assassino em massa” e diz que presidente usa internação como “cortina de fumaça” para CPI

Deputada federal Natália Bonavides (PT-RN) – Foto: Luis Macedo / Câmara dos Deputados

A deputada federal Natália Bonavides (PT-RN) afirmou nesta quinta-feira (15) que o presidente Jair Bolsonaro “politiza” a condição de saúde que enfrenta. Em entrevista a um canal no YouTube, a parlamentar criticou o presidente por mencionar o PSOL e o PT na publicação que fez nas redes sociais para falar sobre a nova internação para tratar uma obstrução gástrica.

Para Natália Bonavides, 2ª deputada federal mais votada do RN nas eleições de 2018, Bolsonaro usa a estratégia para ofuscar os trabalhos da CPI da Covid-19 no Senado, que mira ações do presidente durante a crise sanitária e que tem apontado suspeitas de corrupção na negociação de compra de vacinas.

“A forma como eles estão politizando a doença é um gesto, uma tentativa de trazer cortina de fumaça para as denúncias que estão acontecendo na CPI. Não estou dizendo isso (que ele está mentindo sobre a condição de saúde), mas tem várias formas de tratar politicamente uma doença, uma internação. Ele não optou por se tratar discretamente, tranquilamente. Optou por abrir guerra contra a esquerda, fazer essa vinculação, se vitimizar. Ele faz isso pela própria experiência do que aconteceu na eleição, de ele ter visto que o fato da facada trouxe saldos eleitorais para ele. Ele busca isso novamente”, disse a deputada.

Nesta quarta (14), Bolsonaro se internou em São Paulo para tratar uma obstrução gástrica. Segundo a equipe médica, um procedimento cirúrgico não está descartado. Em publicação nas redes sociais, o presidente agradeceu pelas orações e relacionou o problema ao atentado que sofreu durante a campanha de 2018. “Mais um desafio, consequência da tentativa de assassinato promovida por antigo filiado ao PSOL, braço esquerdo do PT, para impedir a vitória de milhões de brasileiros que queriam mudanças para o Brasil. Um atentado cruel não só contra mim, mas contra a nossa democracia”, escreveu Bolsonaro. As autoridades concluíram que Adélio Bispo, autor da facada a Bolsonaro, agiu sozinho.

Na avaliação de Natália Bonavides, o presidente da República recorre à condição de saúde para despistar as denúncias surgidas na CPI. “Estão tentando trazer alguma coisa que busque fugir desse assunto”, complementou.

A deputada ainda duvidou da condição de Bolsonaro. “A gente não tem como saber qual é a situação real de saúde de Bolsonaro, mas, independentemente de ser uma questão grave, de ser uma questão mais leve, independente de qual problema que ele tem, que poucas informações nós temos, se vai ter que fazer uma cirurgia ou não, se isso é consequência de outras coisas que ele tinha antes ou não, ele está fazendo uso político disso”, argumentou.

Gestão da pandemia

Durante a entrevista, a deputada federal do RN também voltou a criticar a gestão federal durante a pandemia de Covid-19. Natália Bonavides disse que o número de mortes pela doença registradas no País tem relação direta com o fato de Bolsonaro ser presidente da República. A parlamentar chamou o presidente de “assassino em massa”, em uma crítica à postura do mandatário durante a crise.

“Hoje, para todo mundo, é muito evidente o quanto que é a questão política a questão da pandemia; o quanto o número de mortos que a gente atingiu foi por Bolsonaro ser presidente, por a gente ter na Presidência um assassino em massa”, emendou.


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