Artigo: A derrota dos nossos times é um reflexo da nossa economia

Silvio Bezerra é Engenheiro e Presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do RN

Silvio Bezerra
Engenheiro e presidente do Sinduscon – Sindicato da Indústria da Construção Civil do RN. Foto: Divulgação

O América empatou neste domingo, na Arena das Dunas, com o Floresta do interior do Ceará, e continuará na Série D. Da mesma forma que houve quem vibrou com a eliminação do ABC há duas semanas, também houve quem vibrou com a eliminação do América ontem. Brincadeiras à parte, não estou incluído entre esses. Embora torça pelo ABC, todos sabem da minha paixão pelo clube, considero a eliminação de ambos uma derrota para todos nós que amamos o futebol, independente do clube pelo qual torcemos.

Entende-se melhor a decadência do nosso futebol quando lançamos um olhar macro e abrangente sobre o Rio Grande do Norte. Ficamos para trás em tudo e não seria diferente com o futebol. As derrotas do ABC e do América só demonstram o quão pobre o nosso estado está. O futebol reflete muito claramente a realidade da nossa economia.

Enquanto o Ceará tem dois times que jogam de igual pra igual com os times da série A, nossos dois times mais tradicionais penam, junto com suas torcidas, na ingrata série D. Dois times com o passado e as glórias de ABC e América não merecem isso. Aqui não fala o abecedista apaixonado, mas o cara que ama o RN, e fica triste com essa situação.

Sendo bem claro e transparente, em termos financeiros e empresariais a situação se resume ao seguinte: os clubes não têm dinheiro para montar bons elencos, e as empresas locais não conseguem patrocinar num volume que deem esse suporte, porque não tem negócio que justifique o montante que os clubes precisam. Simples assim.

A realidade é que hoje não circula dinheiro aqui, no mesmo volume que circula nos nossos vizinhos.

Além do mais, tudo aqui é complicado, quando se quer empreender! Diferentemente dos nossos vizinhos, por exemplo, que aprovam projetos on line, sem qualquer burocracia há anos.

Não é à toa que estamos atrás, muito atrás de Pernambuco, do Ceará, e agora, até da Paraíba. Não vou nem citar o rico e próspero estado da Bahia.

Para sair dessa situação vexatória e constrangedora, que, reconheça-se é antiga e abarca tudo, até o futebol, os poderes constituídos deveriam firmar um pacto entre eles para estudar, criar e aprovar com urgência, medidas e leis em favor do nosso desenvolvimento, sem burocracia e sem hostilidade aos investimentos privados.

Uma trégua de cinco anos, sem embargo de obras e respeito às licenças ambientais e de operações, com toda segurança jurídica, e o nosso estado seria outro, em todos os setores e sentidos, do futebol ao emprego privado, com repercussão positiva na nossa autoestima.

Torço para que uma hora nossas autoridades acordem e se deem conta da situação lastimável em que o nosso Estado encontra-se.

Precisamos fazer a nossa economia voltar a crescer e o estado se desenvolver.

Aqui, falta mais do que nunca, estender em definitivo um tapete de boas-vindas aos investimentos privados.

Se nada de prático for feito nesse sentido, vamos continuar sendo derrotados, no futebol e em tudo o mais que existir.

Essa é a visão de um #ApaixonadopeloRN

Que sonha em voltar a ter orgulho da sua terra natal.

Silvio Bezerra
Engenheiro e presidente do Sinduscon – Sindicato da Indústria da Construção Civil do RN


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