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Aulas presenciais
Aulas presenciais retornam com 100% dos alunos no Rio Grande do Norte

A Secretaria de Estado da Educação, da Cultura, do Esporte e Lazer (SEEC/RN) permitiu o retorno de 100% dos alunos às unidades de ensino do Rio Grande Norte nessa segunda-feira (4). A pasta havia estimado que, se não houvesse notificações de casos de covid-19 nas escolas desde o início da retomada das atividades presenciais, em julho último, o retorno com todos os estudantes no ambiente escolar seria permitido nesta segunda (04).

A retomada, no entanto, não é obrigatória e depende da aprovação dos pais ou responsáveis. “Para os pais que ainda não se sentem seguros em enviar seus filhos às unidades de ensino, o retorno é facultativo. Essa situação é registrada pontualmente”, explicou a SEEC.
Até então, a volta às salas de aula acontecia de forma gradual e híbrida, com parte dos estudantes nas escolas e outra parcela em ensino remoto. Desde a segunda-feira (04), no entanto, a maioria das unidades passou a receber todos os estudantes em suas dependências, segundo informou a SEEC. “Um conjunto de 30 unidades – localizado, em grande parte, na região metropolitana – está em obras. Nesses casos, as aulas continuam virtuais até a conclusão dos serviços”, afirmou a pasta, sem especificar quais seriam as unidades que estão recebendo intervenções na infraestrutura.
A Secretaria explicou que, desde 2019, independentemente da pandemia, foram diagnosticadas cerca de 400 escolas com necessidades de reformas ou reparos estruturais e que tem dialogado com as empresas responsáveis pelas obras para que o cronograma de serviços seja seguido sem atrasos. A pasta também não informou a data para a retomada das atividades presenciais nessas escolas.
Questionada se algum caso de covid-19 foi registrado com a volta dos estudantes às unidades de ensino, a SEEC respondeu não haver nenhuma notificação até o momento. “As escolas têm seguido protocolos de limpeza e organização para que continuem sendo um lugar seguro”.
Caso sejam confirmadas infecções, disse a pasta, o protocolo de biossegurança da SEEC, definido no Documento Potiguar, de setembro de 2021, orienta que o aluno, professor, colaborador ou demais servidores, sigam com as atividades de maneira remota pelo tempo que for necessário para tratamento da doença.
“As pessoas que tiverem contato [com quem estiver infectado] serão observadas e o ambiente passará por desinfecção. Cada situação será analisada de acordo com o protocolo, podendo haver suspensão de aulas ou turmas, dependendo da gravidade do evento”, esclareceu a pasta. A rede estadual de ensino possui 429 mil alunos, distribuídos em 588 escolas.
A TRIBUNA DO NORTE visitou, na manhã dessa segunda-feira (4), algumas escolas da rede estadual de ensino que estão localizadas na capital para conferir como foi o retorno com 100% dos estudantes às salas de aula. 
Na Escola Estadual de Tempo Integral Winston Churchill, na Cidade Alta, onde estudam 472 alunos, distribuídos em 12 turmas, todo o corpo docente estava de volta às atividades. De acordo com o diretor da unidade escolar, Fernando Francelino, as condições prediais garantem o retorno sem prejuízo das normas de biossegurança estabelecidos pelo Governo do Estado.
“A única alteração que nós temos aqui é a seguinte: tivemos um pequeno impasse com os recursos da merenda. São questões ligadas à burocracia dos bancos. Por causa disso, nós não estamos ofertando o ensino integral. Hoje, estamos atendendo 100% dos estudantes, mas no modelo regular (metade pela manhã e metade à tarde)” afirmou. O problema, conforme explicou Francelino, é pontual, da própria escola.
O diretor esclareceu que as questões relacionadas ao imbróglio sobre a merenda estão sendo resolvidas e que o ensino integral deverá retornar no próximo dia 18. Fernando Francelino disse, ainda, que a adesão dos estudantes às atividades presenciais foi bem recebida, mesmo que o Estado tenha assegurado ao estudante o direito ao ensino remoto até o final deste ano.
Anísio TeixeiraNa Escola Estadual Professor Anísio Teixeira, localizada no bairro de Petrópolis, na zona Leste da capital, a opção foi pelo retorno em formato de rodízio. Segundo informou Francisco Neves, diretor da unidade escolar, metade dos estudantes irá participar das atividades presenciais durante 10 dias letivos e a outra parte terá aulas em formato remoto. Depois, a situação se inverte e a participação dos alunos ocorrerá, assim, de forma alternada em sala de aula.“Planejamos o retorno conforme uma pesquisa que nós fizemos com alunos e familiares. Colocamos a decisão no Conselho [Escolar] e foi aprovado o retorno em sistema de rodízio, a partir dessa segunda-feira”, detalhou Francisco Neves. 
Segundo o gestor, muitos pais e estudantes ainda estão receosos com a retomada. O diretor da Escola Estadual Professor Anísio Teixeira comentou que, além do receio de contaminação, há outros problemas com os quais a escola terá que lidar, a partir de agora. “Temos alunos com dificuldade financeira de pagar o transporte para vir às aulas. Temos aqueles que começaram a trabalhar agora, exatamente no turno em que estudam e uma transferência [de horário] é algo complicado”, relata Francisco Neves. 
“Nós estamos ajustando com esses alunos que estão trabalhando para tentar resolver a situação deles”, acrescenta o diretor em seguida. Neves afirmou que a unidade de ensino está bem preparada do ponto de vista estrutural e que possui insumos para garantir a manutenção dos protocolos de biossegurança. “A escola passou por uma reforma elétrica recentemente, inclusive”, disse, quando questionado sobre a infraestrutura da unidade.
A TRIBUNA DO NORTE visitou também o Colégio Estadual do Atheneu Norte-Riograndense, em Petrópolis, na manhã da segunda-feira. A escola estava sem aulas. Um funcionário, que atendeu à reportagem, informou que a direção da escola estava em reunião. 
Alunos aprovam retorno das aulas presenciaisAlunas do 1º ano C, da Escola Estadual Professor Anísio Teixeira, as amigas Letícia Mendes e Juliana Mileny, ambas de 15 anos, estavam pisando na unidade pela primeira vez. Até 2020, as duas estudavam na Escola Municipal Ferreira Itajubá, localizada no bairro das Quintas, na zona Oeste de Natal.
Com o ingresso no Ensino Médio, as amigas foram transferidas para a Anísio Teixeira, mas ainda não tinham conhecido a escola por causa da pandemia. “Eu estava em aula remota desde 2020. Estou chegando ao Anísio Teixeira pela primeira vez. Achei que ia ser mais complicado, mas está sendo bem tranquilo. Tem colegas aqui que eram da Ferreira Itajubá, então, deu para reencontrar os amigos”, relata Letícia Mendes.
“Eu estou achando muito legal. A escola é ampla e os professores são atenciosos. A gente ainda não conhecia o prédio e eu estou gostando bastante”, emenda Juliana Mileny, amiga de Letícia, que, aliás, fez questão de deixar claro: 
“Eu prefiro o ensino presencial, porque é mais prático para entender os assuntos e a gente consegue prestar mais atenção. E é bem mais fácil para tirar dúvida com o professor. Sem contar que aqui eu estou encontrando muita gente nova”, conta Letícia.
Quem também aprova o retorno às atividades presenciais, é a estudante Ana Alice Mendonça, de 18 anos, do 3º ano “B”, da Escola Winston Churchill. “Eu até conseguia acompanhar as aulas remotas direitinho, mas eu prefiro o ensino presencial”, disse ela em coro com a amiga  e colega de turma, Emilly Lima, de 17 anos.
“É bem mais fácil se concentrar nas aulas. Em casa eu ficava muito dispersa e sem entender de verdade o conteúdo que estava sendo aplicado”, relata Emilly. “Minha situação é igual a de Emilly. É mais tranquilo aprender fazer as atividades na escola. A gente aprende muito mais rápido. No formato online a gente não tem motivação nenhum para estudar”, pontua Ana Alice.
A SEEC afirmou que não haverá necessidade de distanciamento entre os estudantes, mas pediu que fossem evitados contatos físicos, como beijos e abraços, por exemplo. “O próximo decreto do Governo do Estado deve tratar sobre essa questão do distanciamento. É baseado nisso que está a nossa orientação”, pontou a pasta.

Fonte: Tribuna do Norte

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