“Banalização da morte”, diz cientista da UFRN sobre novo decreto estadual

Na quarta-feira (31), em entrevista ao 12 Em Ponto 98, José Dias defendeu a implantação de medidas ainda mais rígidas no Estado

Astrofísico e professor José Dias do Nascimento da UFRN. Foto: Cícero Oliveira.

O astrofísico e professor José Dias do Nascimento da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e integrante do comitê científico do Nordeste no enfrentamento da Covid-19 criticou através de uma rede social o novo decreto estadual, que deve ser publicado ainda nesta quinta-feira (1°), que flexibiliza as medidas restritivas no Estado. O cientista afirmou que os erros no enfrentamento da Covid-19 se acumulam no RN e disse que o Governo segue um caminho sem comprovação científica. Na quarta-feira (31), em entrevista ao 12 Em Ponto 98, Dias defendeu a implantação de medidas ainda mais rígidas no Estado.

“O recado foi dado. Os erros se acumulam no RN e a governadora sede à pressão e valida um encaminhamento sem bases científicas. A economia está ruim porque o povo esta morrendo e o aumento relativo dos óbitos em março mostra claramente a banalização da morte. Se desnaturou de vez!”, escreveu.

 
O cientista compartilhou fala de sua entrevista na Foto: Reprodução/Twitter

Nesta quarta-feira (31), o professor disse que se for aberto novamente os serviços considerados não essenciais o aumento de casos que já está sinalizado iria piorar ainda mais, porém com uma maior restrição a previsão poderia ser branda.

“Estamos de novo em uma passagem de decreto e tudo depende dos gestores, dependendo do que for feito agora nós podemos diminuir todos os parâmetros epidemiológicos”, afirmou ao 12 Em Ponto 98 desta quarta-feira (31).

Segundo Dias, a Covid funciona com efeitos coletivos e o Estado teve dois eventos importantes recentemente, e um deles foi uma passagem de um regime para outro, em torno do dia 5 de março, segundo ele, nesse momento foi feito uma medida restrita quando deveria ter sido aplicado um lockdown. O novo decreto libera as aulas presenciais até a 5ª série do ensino fundamental, e mantém as demais séries no sistema remoto.

“Retorno às aulas sem garantia da vacina para os professores é o desenho perfeito de como o Governo, escolas públicas e privadas e a sociedade veem seus professores e mestres: Vidas desprezíveis e sem valor. Repito: banalização da morte”, escreveu o cientista em sua conta no Twitter.

 
Foto: Reprodução/Twitter
Dias falou também sobre a fila por espera de leitos de UTI, o Estado tem nesta quinta-feira (1°), 53 pessoas esperando por um leito, a taxa de ocupação chega a 97,3% segundo o site Regula RN do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde da UFRN (Lais-UFRN).
“Basta a fila de UTI COVID-19 no RN oscilar com ligeira queda e a narrativa é de abrir. O fato de existir fila já é uma aberração. Um absurdo. A morte não espera. Vamos em frente”, escreveu.
Foto: Reprodução/Twitter

O novo documento permite o funcionamento do comércio com a frequência de pessoas a 50% da capacidade do espaço do estabelecimento ou ao limite máximo de uma pessoa por cada cinco metros quadrados. O horário de funcionamento será alternado, conforme proposta das federações empresariais. O decreto também vai flexibilizar o funcionamento de igrejas e academias. Ambas só poderão funcionar das 6h às 20h.

Em dezembro de 2020, o professor alertou que estava se formando uma segunda onda da Covid-19 em pelo menos cinco estados do Nordeste: Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba, Sergipe e Bahia. A projeção feita por ele foi baseada nos dados públicos da doença.

Veja a entrevista do professor José Dias no 12 EM Ponto da quarta-feira (31).

 


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