A Copa do Mundo de 2026 deve gerar um impacto de R$ 4,32 bilhões no varejo brasileiro, segundo estimativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. O valor representa um crescimento real de 6,5% em relação ao Mundial de 2022.
O levantamento considera o aumento do consumo no período do torneio, especialmente em segmentos ligados a alimentos, bebidas, eletroeletrônicos e vestuário, com maior concentração de vendas no mês de realização da competição.
Supermercados concentram maior parte do impacto
De acordo com a CNC, o setor de hiper e supermercados, alimentos e bebidas deve concentrar cerca de R$ 3,97 bilhões, o equivalente a quase 70% do total previsto. Em seguida aparecem vestuário e acessórios, com R$ 803,7 milhões, e artigos de uso pessoal e doméstico, como eletroeletrônicos, com R$ 262,6 milhões.
O estudo aponta ainda que os efeitos das vendas variam conforme o segmento: supermercados e alimentos tendem a reagir no próprio mês do Mundial, enquanto eletrodomésticos e móveis apresentam impacto mais forte nos meses que antecedem o evento.
Crédito mais caro limita impacto em eletrônicos
Apesar da expectativa positiva, a CNC destaca que o ambiente de crédito segue restritivo, o que tem limitado a compra de bens duráveis, como televisores. A taxa Selic permanece em patamar elevado, e o crédito às pessoas físicas segue acima de 60% ao ano, o que reduz o estímulo ao consumo parcelado.
Mesmo com queda de 18,9% no preço médio dos televisores entre 2022 e 2026, a demanda ainda não voltou aos níveis observados em Copas anteriores.
Mercado de trabalho sustenta consumo
O estudo aponta que o crescimento do varejo está mais associado ao desempenho do mercado de trabalho e da renda. A taxa de desemprego caiu de 9,3% no segundo trimestre de 2022 para 6,1% no primeiro trimestre de 2026, enquanto a massa de rendimentos reais cresceu 28,8% no período. Esse cenário ajuda a sustentar o aumento do consumo, mesmo com crédito mais caro.
Busca por TVs cresce, mas ainda abaixo de Copas anteriores
Segundo a CNC, com base em dados do Google Trends, a procura por Smart TVs cresceu 8,4% em maio de 2026, na comparação com o mês anterior. No entanto, o interesse ainda está 15,6% abaixo do registrado às vésperas da Copa de 2022.
O levantamento mostra que, apesar da movimentação típica do período pré-Copa, o comportamento do consumidor segue mais cauteloso em relação à compra de bens duráveis.