Butantan ofereceu 60 milhões de doses à Saúde em julho de 2020, diz Covas na CPI da Covid

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid encerra os trabalhos da semana com o depoimento do diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas. A oitiva teve início às 10h desta quinta-feira (27).

Aos senadores, Covas afirmou que o Butantan ofertou, em julho do ano passado, 60 milhões de doses da vacina contra a Covid-19 que poderiam ser entregues no último trimestre de 2020. Segundo Covas, não houve avanço nas negociações.

“Refiz um outro ofício no dia 7 de outubro, reafirmando os ofícios anteriores, e oferecendo 100 milhões de doses. Desses 100 milhões, 45 milhões seriam produzidas até dezembro de 2020, 15 milhões no fim de fevereiro e 40 milhões até maio”, explicou.

“Tudo aparentemente estava indo muito bem, tanto que em 20 de outubro fui convidado pelo [ex-]ministro [Eduardo] Pazuello para uma cerimônia no Ministério da Saúde em que a vacina seria anunciada como uma vacina [do PNI], com a incorporação de 46 milhões de doses”, disse Covas.

“A partir desse ponto, é notório que houve uma inflexão. E digo isso porque saímos de lá muito satisfeitos e achávamos que, de fato, teríamos resolvido parte desse problema. No outro dia, de manhã, as conversações adicionais não seguiram porque houve uma manifestação do presidente da República [Jair Bolsonaro] dizendo que a vacina não seria incorporada.”

O Butantan é um dos produtores nacionais de imunizantes contra o novo coronavírus. O instituto desenvolve, em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac, a Coronavac, que é responsável por 65% das doses de vacinas aplicadas no Brasil, segundo o Localiza SUS, plataforma do Ministério da Saúde.

Segundo Covas, o governo federal não prestou auxílio financeiro para produção dos imunizantes. “Até este momento, não houve nenhuma [ajuda financeira do Ministério da Saúde para produção e desenvolvimento de vacinas]”.

O imunizante começou a ser aplicado no país em 17 de janeiro deste ano, após muitas divergências políticas entre o governo federal e o governo de São Paulo, ao qual o Butantan é ligado.

*Por Metrópoles


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