Coronavac pode estar sendo distribuída com menos doses do que o indicado no frasco

A Secretaria de Saúde de Parnamirim informou que os últimos 3 lotes recebidos pelo município vieram com menos doses do que deveria, cada frasco deveria conter 10 doses, porém algumas ampolas só continham 9

O Estado recebeu 685.690 doses e aplicou 433.125, e perdeu 2.066. Foto: Agência Brasil

Por Helliny França

O Instituto Butantan estaria enviando ampolas da vacina Coronavac contra a Covid-19 com menos doses do que o sinalizado na embalagem, segundo a Secretaria de Saúde de Parnamirim. A pasta informou nesta quarta-feira (7) à reportagem da 98FM que os últimos 3 lotes recebidos pelo município vieram com menos doses do que deveria, cada frasco deveria conter 10 doses do imunizante produzido pelo Butantan, porém algumas ampolas só continham 9 doses. As vacinas são adquiridas pelo Governo Federal, enviadas aos estados que distribuem para os municípios. A imunização no Rio Grande do Norte começou no dia 19 de janeiro, até o momento o Estado recebeu 685.690 doses e aplicou 433.125, e perdeu 2.146 segundo o registro do site RN + Vacina, que contabiliza as informações sobre a campanha de imunização no Estado.

Cada dose de vacina da Coronavac é 0,5 ml, os frascos podem vir com 5 ou 10 doses. Parnamirim é o segundo município do Estado que mais registrou perda técnica dos imunizantes contra o coronavírus, são 279 doses perdidas, somando tanto as das Coronavac, quanto as da vacina de Oxford/Fiocruz, segundo o registro do site RN + Vacina, que contabiliza as informações sobre a campanha de imunização no Estado. O município recebeu 39.825 doses, com 232 doses adicionais, e aplicou até esta quarta-feira (7) o total de 29.674. A cidade que mais perdeu doses até agora foi Natal com 383.

A Secretaria de Saúde de Parnamirim alega que parte do número de doses perdidas registradas no RN + Vacina se deve justamente ao fato de algumas ampolas estarem com menos doses do que o indicado na embalagem, e como o sistema contabiliza o que é sinalizado nos frascos, as doses faltosas acabam sendo registradas como perda técnica. A Secretaria informou que faltaram 116 doses. Segundo a pasta as doses estão sendo aplicadas corretamente, sem desperdício. Eles informaram ainda que em fevereiro, houve de fato perda 163 de doses quando duas Unidades Básicas de Saúde (UBS) onde estavam armazenadas as vacinas ficaram sem energia, o que impossibilitou a refrigeração dos imunizantes.

A Secretaria informou ainda que está em contato com o Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Lais-UFRN), que é responsável por gerenciar a plataforma RN+ Vacina para que essas doses faltosas não sejam incluídas em perdas técnicas, e que irá se reunir com o Governo do Estado para que o assunto seja tratado com o Butantan. A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Saúde do Estado para saber se eles já tomaram conhecimento do caso, e ainda aguarda a resposta da pasta. A assessoria do Lais-UFRN também informou que está apurando as informações sobre a caso.

No início de março a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma mudança do volume do frasco da vacina CoronaVac, até então o frasco utilizado tinha capacidade para 6,2 mililitros (ml) de líquido. A agência autorizou o uso de um novo recipiente com 5,7 ml, a decisão foi motivada por um pedido do próprio Butantan para evitar desperdício. Cada frasco da vacina continua contendo dez doses segundo o Butantan, conforme aprovado na autorização de uso emergencial emitida pela Anvisa e na bula da vacina. Na ocasião, a mudança foi solicitada porque o Instituto identificou que, em vez das dez doses previstas, com o volume de 6,2 ml seria possível tirar 11 ou até mesmo 12 doses, situação foi detectada em 92,8% dos lotes.

Antes, em fevereiro, a Anvisa chamou a atenção para os cuidados referentes à administração da vacina CoronaVac apresentada em frasco de 5 ml. O objetivo era prevenir a ocorrência de eventuais erros. Os profissionais de saúde envolvidos na aplicação do produto devem se certificar de que o volume a ser aspirado do frasco multidose é de 0,5 ml por indivíduo, de modo que cada um receba somente a dose exata e necessária. Ademais, todas as doses devem ser utilizadas num prazo de até oito horas após a abertura do frasco multidose, desde que ele seja mantido em condições assépticas e sob temperatura entre +2°C e +8°C. Essa medida visa garantir as propriedades do imunizante, uma vez que a vacina não contém conservantes.

*Matéria atualiza às 12h da quarta-feira (7)


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