Corrida do Governo Federal por vacinas já é resultado da CPI, afirma Agripino

Na avaliação de Agripino, o temor das consequências da investigação foi o motivo principal para a gestão do presidente Jair Bolsonaro mudar o tom

Ex-senador José Agripino Maia. Foto: 98 FM

Por redação

O ex-senador José Agripino Maia, líder do DEM no Rio Grande do Norte, afirmou nesta terça-feira (27), em entrevista à 98 FM Natal, que a CPI da Pandemia, instalada no Senado para apurar as ações do Governo Federal no enfrentamento da crise da Covid-19, já começou a produzir resultados para o País antes mesmo de iniciar oficialmente os trabalhos. O colegiado se reuniu pela primeira vez nesta terça.

Na avaliação de Agripino, o temor das consequências da investigação foi o motivo principal para a gestão do presidente Jair Bolsonaro mudar o tom e acelerar a compra de vacinas contra o novo coronavírus.

Nas últimas semanas, após meses de demora na conclusão de acordos com as farmacêuticas, o governo brasileiro anunciou finalmente a formalização de processos de compra de mais imunizantes, especialmente com a Pfizer – que vai fornecer 200 milhões de doses para o País ao longo do ano. Também foram anunciados acordos para aquisição de vacinas da Johnson e da Sputnik V.

Atualmente, o Brasil só tem duas vacinas em seu programa de imunização: a de Oxford/Astrazeneca, envasada pela Fiocruz/RJ, e a Coronavac, envasada pelo Instituto Butantan/SP.

“Isso é produto da CPI. Os órgãos governamentais estão se movendo no sentido de suprir as dificuldades e deficiências, quais sejam, o Brasil precisa ter vacina. O objetivo da CPI é investigar o que houve para que o que houve não se repita”, afirmou Agripino, que participou do programa “12 em Ponto 98”.

O ex-senador avalia que, antes da CPI, o governo Jair Bolsonaro tratou a compra de vacinas com “negligência”. Agripino defende que a ação da gestão federal na compra de imunizantes seja investigada pelos senadores, assim como a possível participação ou omissão federal na solução de outros problemas vivenciados na crise sanitária.

“A CPI tem obrigação de esclarecer as razões dos baixos níveis de vacinação, dos baixos níveis de aquisição da vacina, e se houve negligência nessa coisa horrorosa que aconteceu em Manaus, com falta de oxigênio e superlotação de hospitais. É averiguar para que a pandemia não se transforme numa tragédia maior que ela é hoje”, enfatizou.

“E ela já produziu resultados. Uma coisa que estava ocorrendo, que era a compra negligenciada da vacina, (acabou). Em dezembro, o governo teve oportunidade de comprar 100 milhões de doses da vacina Pfizer e o governo não comprou. Agora, está procurando comprar maciçamente”, complementou.

José Agripino ressaltou que o objetivo da CPI deve ser contribuir para a solução de problemas na crise sanitária, e não criar mais um.

“Se praticar o indevido, transformar a CPI num instrumento de acusação, e não de contribuição para a solução de problemas, a sociedade vai gritar e se voltar contra eles (os senadores). O trabalho que deve ser feito pelo Congresso tem que ser racional. Aquilo que houve ser mostrado para servir de exemplo para a correção de rumos. A sensatez tem que ser a palavra de ordem”, acrescentou.

O ex-senador lamentou, ainda, que o País esteja se aproximando de 400 mil mortes e atribuiu a extensão da tragédia a uma “falta de sintonia” entre os governos federal, estaduais e municipais. “Está faltando a sintonia, e a CPI pode produzir isso”, finalizou.

Confira abaixo a entrevista na íntegra:


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