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Polêmica
Escola de Natal é acusada de homofobia após mandar alerta às famílias sobre série “Round 6” e depois pede desculpas; ENTENDA
Escola afirma que a série tem conteúdos “completamente inapropriados para crianças” e inclui a “homossexualidade” entre os temas complexos abordados pela produção
Série sul-coreana Round 6, da Netflix, se tornou a mais assistida da história - Foto: Reprodução
Da Redação da 98 FM

A rede de escolas Salesiano, que tem duas unidades em Natal, está sendo acusada de homofobia após enviar para os pais e responsáveis pelos alunos um comunicado sobre os possíveis riscos da exposição dos jovens à série sul-coreana “Round 6”, que se tornou a mais vista da história da Netflix. Depois da repercussão negativa, a escola pediu desculpas.

No comunicado às famílias, a escola afirma que a série tem conteúdos “completamente inapropriados para crianças” e inclui a “homossexualidade” entre os temas complexos abordados pela produção. O Salesiano compara a orientação sexual, que aparece de forma tangencial na série, a temas como suicídio, tráfico de órgãos, tortura psicológica e morte.

O Salesiano enfatiza que, apesar de a série possuir classificação indicativa (sendo não recomendada para menores de 16 anos), crianças têm fácil acesso à Netflix. O colégio recomenda aos pais que ativem a ferramenta de restrição de visualização por classificação etária, para que os jovens tenham acesso apenas a conteúdos apropriados para a idade deles.

A rede de escolas destaca que a série tem “pesadas cenas que chocam os espectadores com episódios de extrema violência”, o que contrasta, segundo o Salesiano, com a necessidade de os jovens conviverem “em ambientes de respeito, fraternidade, dignidade e paz”. O colégio manifesta preocupação com o fato de que, na série, os jogos envolvidos são justamente infantis.

“Outra orientação de cuidado é que as crianças e os adolescentes (que) quiserem assistir, que sejam acompanhados dos pais e/ou responsáveis, e que se promovam diálogos educativos, em vista da formação da consciência moral e social”, conclui o texto.

Comunicado original do Salesiano sobre série Round 6 – Foto: Reprodução

Acusações de homofobia

Nas redes sociais, a escola vem sendo criticada por suposta homofobia no comunicado. Na página do Salesiano no Instagram, internautas criticaram o colégio por comparar homossexualidade a temas sensíveis para crianças como morte.

“Estou extremamente decepcionado e envergonhado com o modo de abordagem do comunicado sobre a ‘Round 6’. Tratar diferentes tipos de relacionamento como violência à dignidade humana fere diretamente o legado de Cristo!”, escreveu um seguidor. “Discurso homofóbico podre. Vocês como uma rede mundial deveriam manter postura!”, complementou outro.

Um outro comentário apontou: “Como que vocês colocam a homosexualidade no mesmo nível de suicídio, tráfico de órgãos, morte…? E ainda falam que ‘as crianças precisam crescer em um ambiente de respeito, dignidade, paz e fraternidade’? As crianças precisam crescer em um ambiente que ensine a respeitar os outros independente de sua religião, sexualidade, cor… e não ensinar que a homossexualidade é um ‘episódio de extrema violência’ e que pessoas homossexuais não são de respeito e não tem dignidade!”.

No Twitter, também houve comentários. “Fico pensando na quantidade de estudantes e funcionários que foram direta ou indiretamente atingidos por isso tipo de comunicado SEM NOÇÃO. Em plena século 21 a gente ainda tem q ver esse tipo de situação acontecendo. VERGONHA”, disse um internauta.

Escola pede desculpas

Em nota após a repercussão negativa, a escola pediu desculpas. Ao PORTAL DA 98 FM, a direção se retratou e afirmou que a ideia da nota partiu da sede da escola em Brasília. Confira a nota:

Nota de retratação – Foto: Reprodução

Entenda a série “Round 6”

Incluída no catálogo da Netflix há pouco menos de um mês, a série sul-coreana Round 6 se tornou nesta terça-feira (12) a série mais assistida do streaming.

O programa se tornou o primeiro drama coreano a chegar no top 10 da plataforma, alcançando o primeiro lugar em 90 países, incluindo os Estados Unidos e o Reino Unido.

A série viralizou ao fundir jogos infantis populares antes da era digital com desafios de sobrevivência mortais. Uma brincadeira de rua na qual os jogadores param e avançam ao comando de um marcador é um de seis jogos infantis com consequências fatais retratados no suspense sangrento, batizado em referência a uma variação sul-coreana do “pega-pega” usando um tabuleiro desenhado na terra.

O “Squid Game” (nome original da série) é o último que os 456 concorrentes necessitados de dinheiro, que vão de um desertor norte-coreano a um administrador de fundos acusado de desfalque, precisam disputar por um prêmio equivalante a quase 40 milhões de dólares.

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