Escultura que só existe na imaginação do artista é vendida por mais de R$ 90 mil

 O contrato de venda sugere que o proprietário disponibilize um espaço de 150 cm x 150 cm, com iluminação própria, para armazenar a obra. Foto: Reprodução/Instagram

O Povo

Uma escultura invisível, intangível e imaterial, existente apenas na imaginação do artista italiano Salvatore Garau, foi vendida por 15 mil euros, cerca de R$ 92 mil, conforme o periódico espanhol Diario As. A obra etérea é chamada “Il sono” (“Eu sou”, em italiano) e, segundo o criador, representa o vazio ocupado pela energia da escultura.

A escultura é, literalmente, abstrata – não ocupa espaço, não tem forma, não é palpável. Ainda assim, o contrato de venda sugere que o proprietário disponibilize um espaço de 150 cm x 150 cm, com iluminação própria, para armazenar a obra. O comprador, aliás, recebeu um certificado comprovando que é o dono da escultura imaginária.

“O êxito do leilão atesta um fato irrefutável: o vazio não é mais do que um espaço cheio de energia. O vazio tem uma energia que se condensa e se transforma em partículas, em suma, em nós!”, afirmou ao Diario As. E, de fato, o leilão foi bem-sucedido: inicialmente cotada entre 6 a 9 mil euros (entre R$ 37 a 55 mil), acabou vendida por 15 mil.

No dia 29 de maio deste ano, em Nova York, Garau exibiu a escultura “Afrodite Piange”, em que a deusa grega estaria representada chorando. Da obra, contudo, foi visível apenas o círculo de fita demarcado no chão, indicando que ali, ao centro, estaria a forma invisível. Antes, havia exposto, em 16 de maio em Milão, o “Buda em contemplação”, escultura igualmente imaterial, demarcada no chão, por sua vez, por um quadrado de fitas.

“Quando eu decido exibir uma escultura imaterial num determinado espaço, esse espaço irá concentrar uma certa quantidade e densidade de pensamentos do público, criando uma escultura que assumirá as mais variadas formas”, explica Salvatore, considerado um dos artistas contemporâneos europeus mais influentes das últimas décadas. “Há anos que penso nessas esculturas invisíveis. Mas foi só agora que decidi exibi-las, porque é uma metáfora perfeita para o tempo em que vivemos ”, pondera o italiano de 67 anos.

Salvatore não é estranho aos brasileiros. Em 2016, esteve em Brasília, onde sua exposição “Salvatore Garau – 1993/2015 Papéis e Telas” ocupou o Museu Nacional de novembro a dezembro. O evento foi organizado pela Embaixada da Itália e contemplou 60 obras – visíveis e tangíveis – de Garau. Agora, em sua nova fase de esculturismo invisível, o artista explora mais um aspecto na amplitude da arte contemporânea, no que, segundo declara, espera criar “uma nova, pequena, autêntica revolução”.


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