‘Impeachment não é solução para crise’, diz Michel Temer após ajudar Bolsonaro em recuo

Ex-presidente Michel Temer – Foto: Reprodução

O ex-presidente Michel Temer foi enfático, nesta terça-feira (14), ao afirmar que o impeachment de Jair Bolsonaro não traria a solução para a crise institucional entre o presidente com os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em entrevista ao Correio Braziliense, ele destacou que o impeachment de Bolsonaro seria um processo doloroso e contraproducente, com a possibilidade de se encerrar perto das eleições do próximo ano. Isso deixaria o ambiente ainda mais convulsionado, sem contar que promoveria a paralisia completa do país.

“Todos devem aproveitar esse momento, de certa pacificação, para combater em definitivo a pandemia e recuperar a economia”, recomendou, com a experiência de quem quase viu avançar um processo de impeachment contra ele.

Ele complementa: “A questão do impedimento, vejo do seguinte modo: você abre um processo de impeachment agora; vai durar de sete a nove meses. Vai bater com as eleições e colocar o país numa agitação brutal. Você tem eleição logo aqui adiante, no ano que vem, e as coisas devem se resolver por eleição. Se o presidente for candidato à reeleição, quem quiser votar no presidente vota; quem não quiser, escolhe outro candidato.”

Autor do texto da Declaração à Nação, que serviu para apaziguar os ânimos depois dos inflamados discursos de Bolsonaro insuflando a militância contra os ministros do STF, no 7 de Setembro, Temer acredita na moderação do presidente de agora em diante.

Para o ex-presidente, o momento de equilíbrio deve ser aproveitado para levar adiante as reformas administrativa e tributária — que, como fez questão de lembrar, começou no governo dele.

“Com esse documento, os acampamentos de caminhoneiros se desmobilizaram em Brasília. O fato é que, convenhamos, se não houvesse a ‘Declaração à Nação’ dia 9, não sei o que aconteceria no dia seguinte”, salientou, certo de que se evitou algum evento de alta gravidade e que poderia ter o condão de convulsionar mais o país.

Temer afastou, ainda, qualquer hipótese de se ter fechado algum acordo entre Bolsonaro e o ministro Alexandre de Moraes, versão que tem circulado nos grupos bolsonaristas. De acordo com o ex-presidente, ele jamais proporia isso ao magistrado por saber que a ideia seria imediatamente rechaçada.

Sobre uma possível candidatura do MDB, partido ao qual ainda é ligado, ao Palácio do Planalto, Temer não acredita nessa possibilidade — embora elogie a competência, a capacidade de trabalho e de articulação da pré-candidata da legenda, a senadora Simone Tebet (MS).

“Tem uma bela pré-candidata, mas não sei se o partido vai com essa posição até o final. O que acontecer pela frente vai determinar a conduta do MDB e dos demais partidos”, observou.


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