Mandetta diz que Bolsonaro queria que Anvisa alterasse bula da cloroquina

Segundo o ex-ministro, o pedido para alterar a bula foi negado pelo presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres

Henrique Mandetta presta depoimento na CPI nesta terça-feira. Foto: Reprodução/ TV Senado

Nesta terça-feira (4), o ex-ministro da Saúde Henrique Mandetta afirmou na Comissão parlamentar de inquérito (CPI) da Covid, que o presidente Jair Bolsonaro queria que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alterasse a bula da cloroquina para que o medicamento fosse indicado no tratamento da Covid-19. A cloroquina, de acordo com estudos, não possui eficácia contra a doença.

Segundo o ex-ministro, o pedido para alterar a bula foi negado pelo presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres. Mandetta foi à CPI como testemunha, quando há o compromisso de dizer a verdade sob o risco de incorrer no crime de falso testemunho. O Brasil já tem mais de 408 mil mortes por Covid-19.

“Eu estive dentro do Palácio do Planalto quando fui informado, após uma reunião, que era para eu subir para o terceiro andar porque tinha lá uma reunião com vários ministros e médicos que iam propor esse negócio de cloroquina, que eu nunca tinha conhecido. Quer dizer, ele tinha esse assessoramento paralelo”, disse Mandetta.
“Nesse dia, havia sobre a mesa, por exemplo, um papel não timbrado de um decreto presidencial para que fosse sugerido daquela reunião que se mudasse a bula da cloroquina na Anvisa, colocando na bula a indicação da cloroquina para coronavírus. E foi inclusive o próprio presidente da Anvisa, [Antonio] Barra Torres, que disse não.”

Ele disse ainda que Bolsonaro defendia o uso da cloroquina para o tratamento precoce, mesmo sem evidência científica, e que o presidente deveria ter outras fontes de informação, pois o uso do medicamento não era recomendado pelo Ministério da Saúde. Mandetta afirmou que o MS seguia as orientações da Organização Mundial de Saúde e que, se ele tivesse adotado a teoria de que o vírus não chegaria no Brasil, teria sido uma “carnificina”.

“Me lembro de o presidente sempre questionar a questão ligada à cloroquina como a válvula de tratamento precoce, embora sem evidência científica. Eu me lembro de o presidente algumas vezes falar que ele adotaria o chamado confinamento vertical, que era também algo que a gente não recomendava”, afirmou.

 

*Com informações do G1

 


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