Não precisa parar tudo, mas fique em casa.

O lockdown (fechamento total) esbarra, também, na necessidade da imunização gradual da população.

Não é só a questão econômica, de consequência seríssima, que impede um fechamento total de todos os serviços e empresas no país. Observando todas as opiniões e estudos de cientistas infectologistas mundo afora, manter uma parcela da população circulando também é determinante para o achatamento da curva.

Isto não é motivo, muito longe disso, para defender o que pretendia o Reino Unido no começo da crise, e deixar todos os cidadãos circulando normalmente. Mas isolar todos os que puderem e desenvolver uma abertura gradual do isolamento, baseada em segmentos empresariais em vez da inicial proposta, a de apenas isolar os idosos.

Se já temos entregadores, médicos, policiais, supermercados e outros setores funcionando parcialmente, não seria necessário decretar quarentena, desde que todos os outros setores da sociedade se mantivessem em casa.

O isolamento por segmento econômico pode ser mais fácil de controlar, mais eficiente quanto à proteção dos idosos e, tão importante quanto o achatamento da curva de contaminação, crucial para a manutenção da economia. Desta forma teríamos a segurança do isolamento social, com as pessoas saindo para o estritamente necessário ou sendo atendidos pelos serviços de entrega, a manutenção da economia com outros segmentos da economia dando retaguarda produtiva, e a criação de uma primeira fase de barreira imunológica.

Com o passar dos dias poderíamos ir ampliando a abertura a outros segmentos, em etapas semanais ou quinzenais, de acordo com o comportamento da curva. Isso só esbarra na falta de maturidade e responsabilidade de algumas numerosas pessoas. É preciso uma conscientização de todos para ficarem realmente em casa, se comprometerem com os protocolos domésticos de higienização e aguardarem sua vez de voltar às atividades normais.

A boa notícia é que as próprias pessoas já estão cobrando isso dos vizinhos e conhecidos, e orientando os mais desavisados. Parece estar funcionando, mesmo que não tão rápido quanto precisamos.

Cristiano Medeiros
instagram.com/falacristiano

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil


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