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Menstruação
“O boi desceu!”
(Foto: PIXABAY)

Por Renato Cunha Lima

Quem se lembra das expressões linguísticas relacionadas a menstruação como “Estou naqueles dias”, “estou de Chico” e “estou de boi”, dentre outras?

A palavra ‘menstruação’ tem o sentido relacionado a regularidade mensal, vinda de mênstruo e este do latim ‘menstruum’ (de ‘mensis’: mês), mas por qual motivo tantos termos para expressar algo fisiológico e natural na mulher?

“Estou de Chico”, por exemplo, assim como todo Severino é Biu, todo Francisco é Chico (de origem árabe – ‘xiqq’), que é associado ao porco, tanto que daí que vem o nome do lugar onde os porcos são criados, o chiqueiro.

Depois vieram analogias com outros bichos, a exemplo do boi e para muitas culturas a menstruação sempre foi vista como algo sujo, como algo para a mulher esconder.

Realmente não é algo para esconder, as mulheres quando não estão grávidas ou com alguma impossibilidade hormonal, fisiologicamente costumam menstruar todos os meses.

Porém, tem algo diferente nesta polêmica envolvendo a proposta da Lei dos absorventes, desta vez até as feministas mais radicais, que defendiam a suspensão da menstruação, agora estão defendendo o a distribuição gratuita e o uso de absorventes.

A intenção, portanto, da proposta da Lei dos absorventes foi emparedar e gerar mais uma narrativa contra Bolsonaro?

Não creio, a ex-presidente Dilma e o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad do PT, também vetaram medidas semelhantes com a mesma motivação que levou o presidente a vetar, a falta de indicativo de fonte, de onde sairia os recursos para bancar a distribuição de absorventes.

O que me faz pensar em uma cortina de fumaça, em segundas intenções, quando a proposta é uma Lei inexequível do ponto de vista orçamentário, bem distante da intenção real de distribuir absorventes para mulheres carentes.

Vamos fazer um parênteses para contextualizar metaforicamente o tabu da menstruação, por exemplo, com a mitologia grega e outras figuras simbólicas.

Na mitologia grega, a menina Coré foi raptada por Hades, o senhor do reino dos mortos e só voltou, com o novo nome de Perséfone, por conta do desespero de seu pai, Deméter, que foi tamanha que secou a terra, motivando Zeus a interceder junto ao seu irmão e selar um acordo.

No acordo, Perséfone teve que permanecer com Hades o equivalente em meses ao número de sementes de romã que tivera engolido, ou seja, quatro sementes e dali em diante, teve que passar um terço do ano com o senhor da morte.

Não é por acaso a associação entre a cor vermelha da romã e o sangue, uma referência ao ciclo menstrual, quando a mulher sofre a morte de uma vida em potencial, o que levaria toda mulher a conviver mensalmente com o seu Hades interior.

Eis o ponto, a verdadeira intenção nunca foi ajudar a higiene e saúde das mulheres carentes, mas de abrir caminho, num país culturalmente cristão e conservador, para que a narrativa do aborto seja vista.

O grande Aristóteles, relativizando o contexto histórico de sua época, mencionou a menstruação como sendo igual ao fluxo de sangue de um ser vivo sacrificado, ou seja, uma oportunidade de vida perdida.

A luta do feminismo atual em desconstruir a mulher que deseja a maternidade, que deseja ser feliz no matrimônio heterossexual é a base, o pano de fundo que motiva o surgimento de pautas como essa.

Reverenciar a menstruação como ato revolucionário contra a maternidade é a verdadeira intenção, não se iluda com o vitimismo e a falsa caridade.

O Congresso poderia muito bem indicar de onde sairia os recursos para bancar a distribuição de absorventes para as mulheres carentes, até mesmo abrindo mão de parte do orçamento do parlamento ou das regalias.

Garanto que todo mundo aprovaria que os recursos que hoje bancam o auxílio paletó para os políticos, entre outros penduricalhos, agora financiem o auxílio absorvente ou mesmo o tratamento hormonal e outras técnicas existentes para suspender a menstruação.

Entretanto, não podemos deixar jamais de reverenciar a sabedoria divina, a primavera feminina, que todo mês ovula como floresce as árvores na expectativa de gerar uma nova vida, mesmo que nem todas as flores frutifiquem.

A beleza da ordem da vida só não pode cair na obscuridade do aborto, um dos mais abomináveis crimes contra a humanidade. Trinta milhões de abortos ocorrem no mundo todos os anos, seis vezes mais que a soma de vítimas fatais do Covid 19, mais até, que judeus mortos pelo nazismo.

Verdade, neste gigantesco número de 30 milhões de abortos anuais no mundo, temos os abortos naturais e acidentais, mas também temos 67 países com legislação permitindo à mulher grávida o direto de matar seus filhos.

Portanto, se ligue! Quando a esmola é grande o cego desconfia, procure luz, não foi por acaso, que no meio de tantos problemas que enfrentamos, pandemia, inflação mundial, desemprego, que essa turma tenha vindo com essa, como quem tentar passa um boi num rio cheio de piranhas para depois passar uma boiada inteira.

— Só que aqui não deu certo mané, o boi desceu.

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