Operação mira lavagem de dinheiro da maior facção do tráfico do RJ

Essa rede de pessoas físicas e empresas — muitas de fachada — é alvo da Operação Overload 2, deflagrada nesta quinta-feira (17).

A Polícia Civil do RJ e o Ministério Público do Rio de Janeiro identificaram, depois de cinco anos de investigações, um esquema de lavagem de dinheiro do Comando Vermelho, a maior facção do tráfico do RJ.

Essa rede de pessoas físicas e empresas — muitas de fachada — é alvo da Operação Overload 2, deflagrada nesta quinta-feira (17).

Segundo a força-tarefa, em pouco mais de um ano, 10 CPFs e 35 CNPJs movimentaram R$ 200 milhões — com ordens que partiam de dentro de presídios.

Agentes saíram para cumprir 25 mandados de busca e apreensão — não há mandados de prisão — em 10 cidades de cinco estados.

A lavagem, segundo a polícia, ocorria quando o dinheiro das atividades criminosas era depositado nas contas dessas empresas e “transformado” em salários ou lucro — o que daria uma aparência de legalidade.

“No transcorrer da investigação, foram detectadas inúmeras negociações de vendas de armas e drogas pela organização criminosa, sendo identificadas diversas contas bancárias envolvidas na transação”, afirmou a polícia.

As pessoas jurídicas utilizadas na atividade criminosa ficavam situadas no Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina. “Algumas delas nem sequer possuíam sede própria ou funcionários cadastrados”, destaca a polícia.

Além do Rio, agentes cumpriram mandados em Campo Grande (MS), Ponta Porã (MS), Curitiba (PR), Araucária (PR), Guarapuava (PR), Ponta Grossa (PR), São José dos Pinhais (PR), Belo Horizonte (MG)e Mafra (SC).

Invasão ao São Carlos

A polícia afirma que o Comando Vermelho articulou a tentativa de invasão contra o Complexo de São Carlos, no fim de agosto, que levou confrontos a diferentes pontos do Rio.

“O fortalecimento do poderio bélico da facção está diretamente vinculado aos altos valores auferidos pelas suas atividades ilícitas, o que tende a aumentar com as recentes decisões judiciais que vedam as ações policiais em comunidades dominadas pelo tráfico”, sustentou a polícia.

A Operação Overload 1

Em junho de 2015, mais de 400 policiais participam da primeira fase da operação e prenderam nove pessoas.

Ao fim das investigações, a Justiça condenou 61 traficantes da cúpula do Comando Vermelho — entre eles, chefes que agiam de dentro de presídios federais.

Alguns dos condenados são:

  • Marcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, apontado como líder da organização criminosa;
  • Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, tido como dono do tráfico de todas as favelas da Baixada Fluminense;
  • Elieser Miranda Joaquim, o Criam, “ajudante de ordens” de Elias Maluco;
  • Edson Silva de Souza, o Orelha, chefe do tráfico do Complexo do Alemão;
  • Eduardo Fernandes de Oliveira, o 2D, do Complexo do Alemão;
  • Elizeu Felício de Souza, o Zeu;
  • Alcindo Luiz Fernandes, o Da Cabrita;
  • Luiz Claudio Machado, o Marreta;
  • Anderson Sant’Anna da Silva, o Gão;
  • Claudio José de Souza Fontarigo, o Claudinho da Mineira;
  • Ricardo Chaves de Castro Lima, o Fu da Mineira.

A Operação Overload 2 é uma parceria da Subsecretaria de Planejamento e Integração Operacional, 25ª DP (Engenho Novo) e Delegacia de Combate às Drogas, com apoio do Departamento de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público.

Fonte: G1


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