Pacientes com câncer podem tomar vacina contra a Covid-19, garantem especialistas

No Dia Mundial de Combate ao Câncer, debate sobre vacinação de pacientes oncológicos é uma das principais pautas

Por Mycleison Costa

Nesta terça-feira, 4 de fevereiro, é celebrado em todo o planeta o Dia de Combate ao Câncer, data dedicada a conscientização e a educação mundial sobre a doença. Este ano, com as campanhas de vacinação contra a Covid-19 começando em diversos países, entre eles, o Brasil, muitas pessoas em tratamento contra o câncer devem ter se perguntado: “Devo tomar a vacina?”. De acordo com o médico oncologista, Maciel Martins, a resposta é “sim”.

Em entrevista concedida a Jovem Pan Natal, na manhã de hoje, o médico esclareceu que, apesar dos boatos e das discussões políticas envolvendo os imunizantes, os pacientes com câncer devem procurar os postos de vacinação desde que não estejam na fase mais severa do tratamento, quando as defesas do organismo estão em queda.

“A vacinação contra a Covid-19 é fundamental, e o paciente com câncer deve tomar a vacina. Porém, é preciso lembrar de um detalhe: quando ele está na fase mais severa de tratamento, principalmente, quimioterápico ou radioterápico, as defesas caem. Por isso, o recomendado é que ele procure se vacinar assim que os exames constatarem que essas defesas foram normalizadas”, explicou o médico.

Mesmo com toda a população de imunossuprimidos (indivíduos que nasceram com alguma deficiência imunológica, ou que desenvolveram após enfermidades ou tratamentos médicos) tendo sido excluída dos estudos das vacinas contra a Covid-19 testadas no país, a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) também recomenda que as pessoas com câncer se vacinem. A associação, inclusive, lançou neste mês um guia onde reúne as principais evidências científicas sobre o tema.

No documento, a SBOC esclarece, entre outros pontos, que dados de vacinação de pacientes oncológicos em outros contextos, como influenza, doença pneumocócica e herpes, indicam eficiência protetora. Sendo assim, quando levado em consideração os mecanismos de ação das vacinas contra a Covid-19 (vacinas com agentes não vivos), pressupõe-se que a eficácia e a segurança da vacinação seja similar ao da população de um modo geral.

Além disso, o guia ressalta que as pessoas com câncer integram o grupo de alto risco para complicações da Covid-19, o que torna a vacinação essencial tanto pela maior possibilidade de agravamento, quanto pelo possível atrasos em exames, diagnósticos, triagens e tratamentos, que podem ser ocasionados em caso de infecção pela doença.

No entanto, o guia também pontua que as diferentes modalidades de tratamentos contra o câncer podem vir a interferir e alterar a eficácia da vacina nesses pacientes, seja na geração da resposta imune ou, em teoria, nos efeitos colaterais.

Dados do câncer no Brasil

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INC), do Ministério da Saúde, os tipos de câncer mais recorrentes no país, segundo a estimativa de 2020, foram o de Próstata, entre os homens, com 65.840 novos casos, e o de Mama, entre as mulheres, com 66.280 diagnósticos.

Quando levada em consideração a incidência em ambos os sexos, o câncer de Cólon e Reto foi o com maior número de registros. 20.540 homens e 20.470 mulheres foram diagnósticos com a doença.

Os dados completos levantados pelo INC podem ser conferidos no site do instituto.

Dia Mundial de Combate ao Câncer

A data, instituída no ano 2000, é uma iniciativa organizada pela União Internacional para o Controle do Câncer (UICC), com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Neste dia, governos, Ongs, hospitais e especialistas buscam intensificar a conscientização e a educação mundial sobre a doença e suas formas de prevenção.


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