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Presidente do Conselho Deliberativo do ABC afirma: ” Clube está asfixiado, sem recursos para o seu  funcionamento”
Cláudio Emerenciano diz que ABC está “asfixiado” e defende venda de patrimônio para quitar dívidas. Foto: Divulgação

Conversei com Cláudio Emerenciano, presidente do Conselho Deliberativo do ABC, sobre o momento complicado que o clube alvinegro está atravessando.

Emerenciano afirmou que para que o ABC  está “asfixiado” e criticou uma “minoria barulhenta” do Conselho Deliberativo que é contra a venda de parte do patrimônio para quitar as dívidas.

O momento atual do ABC

” Sem dúvida a  prioridade número um do ABC hoje é se  livrar do buraco que representa essa dívida que veio crescendo ao longo dos anos. Dívida essa que compromete o nosso orçamento, na hora que vincula a nossa maior receita que é a Timemania exclusivamente para o pagamento dos  processos trabalhistas e ai atualmente somando-se a todas  essas dificuldades oriundas da dívida, nós temos a paralisação de todos os campeonatos, o que fez com o ABC ficasse sem perspectivas de novas cotas, o ABC estava para se  classificar para a segunda fase da Copa do Nordeste  e sem a renda dos jogos bem como alguns parceiros e patrocinadores que suspenderam os contratos pela natural dificuldade que o momento exige de cada um que faça contenção de despesas”.

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” Já é do conhecimento de todos que ele é diabético e pela idade, tem que ter  todos os cuidados diante desse coronavírus, principalmente pela condição dele de médico. Ele nos fala que as  consequências desses coronavírus não são totalmente conhecidas pela medicina, então a situação requer todos os cuidados. O presidente Suassuna encontra-se sem sair de casa, e nesse momento delicado de escassez de receitas, o presidente deveria ir pessoalmente negociar com jogadores, conversar com comissão técnica. O clube antes mesmo desse período de coronavírus já estava aumentando o número de desligamentos de funcionários e isso tudo exige conversas pessoais, ir à federação, bater às portas da CBF, sair para tentar captar novas receitas  e ele sem sair de casa fica muito limitado e está incomodado com isso. Ele ( Suassuna ) vem conversando com o nosso vice ( Bira Marques ) para encontrar uma solução. O Bira Marques também está enfrentando problemas com a sua empresa por causa do coronavírus e pediu até a semana que vem para resolver. Os dois estão conversando e esperam que até a próxima semana possam trazer uma solução, se Bira Marques assume ou não. Os dois estão conversando e dessa conversa pode sair uma solução. O mais razoável seria que Suassuna pudesse tirar uma licença para cuidar da sua saúde por tempo indeterminado mas isso pode evoluir da conversa entre os dois “.

Venda de patrimônio

” Sim, existe essa resistência por parte de alguns conselheiros que entendem que o ABC pode  resolver essa sua dívida sem  ter que vender alguma  área. Entendem que o futebol dando certo o ABC pode incrementar sua renda buscando outros caminhos, sem que seja a venda de patrimônio. O Conselheiro Bira Rocha que tem uma vasta experiência na economia, nos seus negócios privados e também no setor público, fez um estudo sobre a situação do ABC e não vê outra saída que não seja a venda de parte do patrimônio para que o ABC possa resolver definitivamente toda essa dívida e depois não mais  se endividar. Bira Rocha fez um estudo completo, inclusive com a aplicação amarrada dos recursos, trazendo uma parte dos recursos que o clube vier a receber para reposição patrimonial  com a compra de uma área em outro local para a construção de um moderno Centro de Treinamento  que contemplaria o futebol profissional e o de base, seria instituído um Comitê Gestor da dívida para negociar também com os  credores e se diminuiria também os valores, já que o ABC disponibilizaria de recursos para pagamento imediato”.

Minoria barulhenta

” O Conselheiro Bira Rocha não vê outra saída e já lançou essa ideia no Conselho, mas alguns ( conselheiros ) que são minoria, mas  aquela minoria barulhenta são contra a venda de patrimônio. Argumentam que antes disso o clube precisa tomar algumas medidas em sua gestão, como a profissionalização. Ao meu ver, isso o presidente Suassuna já vem adotando, já vem enxugando os custos, enxugando o quadro funcional, mas as dificuldades amarram muito essas medidas. Não se pode atualmente contratar outros profissional remunerados, o ABC não tem condição para isso então, parte do clube tem que funcionar com o comando de VPs não remunerados e ai continua uma forma hibrida. Hoje nós temos Gutemberg que é  excelente profissional que está atuando na área administrativa/financeira só que o ideal seria profissionalizar todos os setores, mas economicamente hoje o ABC não tem essa condição, mas está enxugando o quadro funcional”.

Pagamento das dívidas

” O ABC tem procurado gerir melhor o acompanhamento dos pagamentos da dívida através da Timemania com o controle mês a mês da distribuição dos recursos. O ABC nunca deixou de pagar a dívida, então alguns credores  vão sendo pagos na sua totalidade e vão saindo da lista, e isso precisa ser mostrado para o quadro de sócios, para o Conselho, para a imprensa. O ABC vem  ao longo dos anos pagando essa dívida e fez esse pleito à Justiça do Trabalho para liberação de parte da Timemania porque encontra-se asfixiado, sem recursos para o seu  funcionamento. O quadro agravou-se ainda mais com a questão do coronavírus. Então para que o ABC não feche suas portas, o que seria muito porque ai não teria condições de continuar pagando as dívidas trabalhistas. Para que tenha a continuidade das suas atividades é que o ABC pediu a liberação da Timemania pelo menos por algum período para que possa enfrentar essa fase de extrema dificuldade”.

Paralisação

” Essa paralisação de tudo tem sido extremamente negativa para todos os clubes. Os elencos precisando receber seus salários, os Estaduais que estavam na sua reta final, aqui o ABC campeão do primeiro turno, liderando o segundo, com o time  próximo do auge técnico e físico e vem toda essa  interrupção. Vai ser necessária  negociação com os jogadores, o que já vem acontecendo nacionalmente para ver como é que fica essa questão da folha salarial. O ABC hoje não está contando  com as rendas dos jogos, não tem perspectiva de cotas. Uma parte da primeira parcela da Copa do Nordeste houve a conclusão do seu pagamento. O presidente da Liga alegou que os parceiros suspenderam o repasse, tudo parou”.

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