Protestos contra reforma tributária deixam 19 mortos e mais de 800 feridos na Colômbia; ONU condena “uso excessivo de força” policial

(Foto: Reprodução/Twitter)

Nesta terça-feira (4), Organização das Nações Unidas (ONU) condenou veementemente “o uso excessivo de força” pela polícia durante manifestações contra a reforma tributária na Colômbia, especialmente em Cali, no oeste do país. Até agora, um levantamento oficial indicou 19 mortos, incluindo um policial, e quase 850 feridos, em seis dias de protestos.

“Estamos profundamente alarmados com os acontecimentos na cidade de Cali, na Colômbia, onde a polícia abriu fogo contra manifestantes que se opõem à reforma tributária, matando e ferindo várias pessoas de acordo com as informações disponíveis”, disse Marta Hurtado, porta voz da alta comissária para os Direitos Humanos da ONU, em entrevista em Genebra.

Ela pediu calma antes de um novo dia de manifestações programado para esta quarta-feira (5).

“Devido às tensões extremas, com soldados e policiais encarregados de controlar as manifestações, pedimos calma e lembramos às autoridades governamentais que elas devem proteger os direitos humanos”, incluindo o direito ao protesto pacífico. “As armas de fogo devem ser usadas apenas como último recurso”, afirmou Marta.

Sob pressão das manifestações maciças, e que se repetiram nos dias seguintes com intensidade variável, o presidente colombiano, Ivan Duque, anunciou no domingo (2) que vai deixar a reforma fiscal em apreciação no Parlamento.

O projeto tem despertado fortes críticas, tanto da oposição quanto dos sindicatos que organizaram a mobilização de 28 de abril e até de representantes do partido no poder, por acreditarem que a reforma irá afetar demasiadamente a classe média.

A reforma fiscal também é considerada “inoportuna” em plena pandemia de Covid-19, que agravou a crise econômica no país.

Ivan Duque propôs retirar o plano original e redigir um novo texto, anulando os principais pontos contestados: o aumento do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) sobre bens e serviços, bem como a ampliação da base do Imposto sobre o Rendimento (IRS).

Apesar do anúncio de retirada da proposta, os manifestantes voltaram às ruas em várias cidades do país.

*Por Agência Brasil


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