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Sou “Cringe”
O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM). Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Por Renato Cunha Lima

Na era das redes sociais nos deparamos com termos próprios e estranhos, como “crush”, “tbt”, “fandom”, “trollada”, “flopar”, “shippada”, “sqn”, “lacrou”, “o pai tá on” e agora chegou a vez do “Cringe”.

A palavra “Cringe”, um verbo na língua inglesa, que remete a vergonha alheia, está sendo usada nas redes sociais para zoar com as pessoas que se mostram fora de sintonia e fora de moda.

Olhando o Brasil do momento, não resta dúvida que sou “Cringe”, pois a moda de hoje é o STF soltar corrupto, traficante e por sua vez quem recebe voz de prisão, recebe de quem tem o passaporte apreendido por acusação de roubar dinheiro da saúde.

Como pode haver uma CPI do Covid presidida por um senador, Omar Aziz, que não pode sair do país, pois está com passaporte retido na justiça, acusado de desviar 260 milhões de reais exatamente da saúde, no período em que foi governador do Amazonas, em operação que levou a cadeia sua esposa e irmãos?

Só posso ser “Cringe”, quando hoje assisto ministro do STF opinando sobre política, inclusive sobre um novo modelo de governança para o Brasil e sobre o moledo eleitoral, como foi o caso do ministro Barroso, que sem nenhum pudor defende o semipresidencialismo e o voto não auditável.

Lembrando que a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman), de 1979 veda expressamente que magistrados interfiram ou opinem sobre a política, até por não serem eleitos, não serem representantes do povo.

As coisas andam tão estranhas, que mais que “Cringe”, muitas vezes me vejo como um alienígena, sobretudo olhando a incoerência, os dois pesos e duas medidas do STF.

Por exemplo, o STF julgou a suspeição do ex-juiz Sérgio Moro, anulando todos os processos e condenações de Lula, também julgou, com a participação do ministro Dias Toffoli, a delação de Sérgio Cabral, que o acusou de venda de sentenças. — Pode isso Arnaldo?

Como conceber que as forças armadas sejam humilhadas e desrespeitadas por um senador corrupto e os principais portais da mídia brasileira sonegarem a duríssima nota do ministério da defesa e das três forças armadas ao seu leitor?

O consolo é que há muita gente fora de moda e desconectada com essa “nova” ética e moral brasileira, que praticamente faz o poste mijar no cachorro. Por isso pergunto: — O que um “Cringe” como eu, pode esperar deste país?

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