“Temos doses suficientes para vacinar a população brasileira até dezembro”, diz ministro da Saúde em entrevista exclusiva à 98 FM Natal

Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, durante depoimento à CPI da Pandemia no Senado – Foto: Jefferson Rudy / Agência Senado

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que a meta do Governo Federal é imunizar até dezembro todos os brasileiros com mais de 18 anos que desejarem receber vacina contra a Covid-19. Até agora, mais de 67 milhões de doses foram aplicadas no País – 46 milhões de pessoas receberam a primeira dose e, dessas, 21 milhões já receberam a dose de reforço. Isso significa que apenas 10% da população já está totalmente imunizada.

Em entrevista exclusiva à 98 FM Natal, o ministro da Saúde destacou que a gestão do presidente Jair Bolsonaro já negociou mais de 600 milhões de doses de vacinas, e que as cargas dos imunizantes ficarão à disposição do País ao longo do segundo semestre. Até a semana passada, 100 milhões de doses haviam sido distribuídas para estados e municípios.

Nesta entrevista, o ministro comenta, ainda, sobre o risco de um novo aumento de casos de Covid-19 pelo País afora e sobre o relacionamento com governadores. Marcelo Queiroga destaca, ainda, as discussões em torno do tratamento precoce para pacientes e fala sobre a expectativa do novo depoimento à CPI da Pandemia no Senado, que está previsto para esta quarta-feira (8).

PORTAL DA 98 FM – A Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro cogita uma “quarta onda” de contaminações da Covid-19. O senhor reconhece que estamos em uma 3ª onda e que existe a possibilidade de uma “quarta onda” para o Estado do RJ e o restante do País?
MARCELO QUEIROGA – Nós temos uma segunda onda. Tivemos um pico de mais de 4 mil óbitos por dia e esse número vem caindo. Ainda não temos uma confirmação de terceira onda. Nós estamos ainda numa segunda onda com um platô e número de óbitos ainda elevado. Mas nós temos as vacinas, e elas são a esperança para controle da pandemia, para diminuição da circulação do vírus. Só em maio distribuímos mais de 30 milhões de doses de vacina. Dá para vacinar a Argentina, Portugal, Grécia, Israel… é um número de vacinas muito grande. Em junho vamos distribuir mais de 40 milhões de doses. Temos doses suficientes para vacinar a população acima de 18 anos até o fim de dezembro.

PORTAL DA 98 FM – Recentemente, o senhor teve discussões públicas, através das redes sociais, com os governadores Flávio Dino (Maranhão) e João Doria (São Paulo). Como o senhor avalia o relacionamento com os estados?
MARCELO QUEIROGA – Isso é coisa da política. Meu foco é a saúde pública. Política de saúde, não política na saúde. Com os secretários estaduais de saúde, os secretários municipais de saúde, as entidades representativas, nós temos o melhor relacionamento possível. Só temos um inimigo: o vírus. Precisamos estar unidos.

PORTAL DA 98 FM – O senhor avalia que governadores e prefeitos se apropriam indevidamente de ações do Governo Federal na gestão da pandemia, como a aquisição e distribuição de vacinas? Se sim, a que o senhor atribui esse não reconhecimento?
MARCELO QUEIROGA – O Governo Federal está interessado em ter o reconhecimento da sociedade. As políticas públicas são dirigidas à sociedade brasileira. Então, precisam ser realizadas com equidade. A gestão tem uma lógica tripartite. O plano nacional de imunização tem um comitê gestor do qual participam estados e municípios.

PORTAL DA 98 FM – O Governo de São Paulo divulgou na semana passada que toda a população adulta do Estado poderá, se quiser, ser vacinada até outubro. Este é o cronograma do Ministério da Saúde?
MARCELO QUEIROGA – Todas as doses que são distribuídas para o estado de São Paulo são distribuídas pelo Governo Federal. Não há doses que tenham outra origem. O que eu posso me comprometer com a população brasileira é vacinar até dezembro.

PORTAL DA 98 FM – A Anvisa aprovou a importação das vacinas Sputnik e Covaxin com uma série de condições. O Ministério da Saúde vai trabalhar pela incorporação dessas vacinas ao Plano Nacional de Imunização (PNI) mesmo com essas limitações ou vai aguardar que a agência emita parecer sobre eficácia e segurança dos dois imunizantes?
MARCELO QUEIROGA – Vamos analisar essa questão para tomar uma posição. A princípio, eu entendo que não há maiores problemas. Agora, a Anvisa autorizou o limite de cerca de 1% da população dos estados que solicitaram a importação. O Ministério da Saúde, em princípio, vai apoiar esses estados.

PORTAL DA 98 FM – A possibilidade de autorizar que empresas privadas comprem vacinas continua no radar do Ministério da Saúde?
MARCELO QUEIROGA – Não é o Ministério da Saúde (que tem que autorizar). É um projeto de lei, que está parado no Senado. O que o Governo Federal tem contratualizado é mais de 600 milhões de doses de vacina. O que a gente tem tentado fazer é antecipar a chegada dessas doses.

PORTAL DA 98 FM – Como está o processo de elaboração de um protocolo oficial de atendimento aos pacientes com Covid-19?
MARCELO QUEIROGA – A lei 8.080 criou a Conitec, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde. Determinei à Conitec que elaborasse o protocolo. O protocolo para pacientes hospitalizados já está pronto, em consulta pública. Vai colher a opinião de toda a comunidade científica. Depois, a comissão vai aprovar o protocolo. Quando há divergência, o ministro é parte recursal e pode deliberar em temas que estejam gerando controvérsia.

PORTAL DA 98 FM – Há uma pressão para que a Conitec emita uma manifestação conclusiva sobre a utilização de medicamentos como hidroxicloroquina e ivermectina no tratamento precoce para pacientes com Covid-19. Se a Conitec se posicionar contra os protocolos em vigor, o senhor vai validar o que for decidido?
MARCELO QUEIROGA – Temos que avaliar, aí o ministro vai se manifestar. Os recursos ao ministro são excepcionais. O mais importante em relação ao tratamento é o tratamento no hospital, naquelas situações de paciente graves. Espero que seja aprovado um protocolo que seja reconhecido por todos e coloque um ponto final nesse assunto. A essa altura do campeonato, em relação aos tratamentos iniciais, não vai mudar muito a evolução da pandemia. Vacina é a esperança.

PORTAL DA 98 FM – O senhor prestará um novo depoimento à CPI da Pandemia nesta semana. Como o senhor avalia o fato de ter sido convocado novamente? O que espera do depoimento?
MARCELO QUEIROGA – Eu já fui na Comissão Parlamentar de Inquérito e fiz as considerações pertinentes. Mas estou à disposição da CPI e do Congresso Nacional, do Ministério Público Federal, da Justiça e do povo brasileiro. Ele é quem me julga, quem avalia.

PORTAL DA 98 FM – Senadores querem ouvir do senhor se há constrangimento de sua parte quando o presidente Jair Bolsonaro participa de aglomerações, não usa máscara e defende tratamento precoce. Como o senhor avalia essa pressão dos senadores? Se considera numa saia justa? E qual seu posicionamento a respeito do comportamento do presidente? Avalia que tem influência relevante na política pública de combate à crise?
MARCELO QUEIROGA – Não compete ao ministro da Saúde fazer juízo de valor acerca do comportamento de qualquer pessoa. O ministro cuida das questões sanitárias.

PORTAL DA 98 FM – O Ministério da Saúde vai incorporar ao SUS medicamentos contra Covid-19 já aprovados pela Anvisa?
MARCELO QUEIROGA – Alguns já obtiveram registro para uso emergencial. A análise que vai ser feita é a mesma em relação aos outros. Eu já solicitei que a Conitec avaliasse. Vai ser feita uma consulta pública para que a sociedade possa opinar. Se esse medicamento se mostrar eficaz, seguro, efetivo, ele pode ser considerado para incorporação no Sistema Único de Saúde.

PORTAL DA 98 FM – O que o Ministério da Saúde está fazendo para ampliar a testagem da população? Existe alguma meta?
MARCELO QUEIROGA – No ano passado, só dispúnhamos do RT-PRC, cujo resultado demorava um pouco, mas agora temos os testes rápidos. Queremos ampliar. A ideia do ministério é testar 20 milhões por mês. A estratégia de testagem se varia em dois pontos. Primeiro, os pacientes sintomáticos, que são testados na atenção primária de saúde, e nos assintomáticos, que são testados em locais de grande circulação.


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