Chuva em São Paulo provoca 12 mortes, desabamentos e isola cidades do ABC

Fonte: O Globo

tempestade que caiu entre a noite de domingo e a manhã desta segunda-feira naGrande São Paulo causou a morte de ao menos 12  pessoas, deixou quatro feridos, interrompeu a circulação de trens, deixou centenas de pontos dealagamentos e fez com que famílias fossem resgatadas por botes e helicópteros da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros.

A chuva atingiu com mais intensidade cidades do ABC paulista e os bairros das zonas Sul e Leste da capital paulista. Entre meia-noite e 10h20 desta segunda-feira, o Corpo de Bombeiros registrou 76 ocorrências de desmoronamentos e 698 chamados para alagamento.

Quatro pessoas da mesma família morreram após o desabamento de uma casa em Ribeirão Pires, no ABC, por volta da meia-noite. No momento do acidente, havia mais gente no imóvel, pois estava sendo comemorado o aniversário de uma das vítimas.

Outro desabamento causou a morte de uma criança em Embu das Artes, tambem na Grande São Paulo. Duas pessoas da família sobreviveram.

As outras mortes ocorreram por afogamento, segundo o Corpo de Bombeiros. Três pessoas morreram em São Caetano e duas em São Paulo, próximo à Avenida do Estado. Na região, o Córrego do Tamanduateí transbordou, arrastando carros e deixando a via intransitável.

Também foram registradas mortes em Santo André e em São Bernardo do Campo — um motoqueiro que tentou atravessar a enchente no bairro Taboão.

Em outro desmoronamento, no bairro São Rafael, na Zona Leste de São Paulo, três pessoas ficaram feridas, entre elas uma criança, em estado grave. Outras três casas desabaram no Jardim Zaíra, em Mauá, sem deixar feridos.

Segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), em 12 horas choveu um terço do que era esperado para todo o mês de março.

Resgate de helicóptero

Os bombeiros usaram helicópteros com cestos para resgatar 12 famílias que ficaram presas nos telhados das suas casas. Botes infláveis e até motoaquáticas foram utilizadas nas operações de resgate.

No bairro do Rudge Ramos, em São Bernardo do Campo, várias ruas ficaram alagadas. Até 13h ainda havia gente em cima dos telhados esperando a chegada dos bombeiros.

A Linha 10-Turquesa da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), que liga o ABC ao centro de São Paulo, não circulou durante a manhã por causa de alagamentos. Ônibus ficaram ilhados e muita gente não teve como ir para o trabalho.

Na divisa entre São Paulo e São Caetano, por exemplo, passageiros passaram a noite toda dentro dos coletivos, sem conseguir sair do lugar.

Além de São Caetano, mais três cidades da região metropolitana ficaram com seus acessos à capital paulista interditados no início do dia: Santo André, São Bernardo do Campo e Diadema..

A Prefeitura de São Paulo cancelou o rodízio municipal de veículos e liberou a Zona Azul, a cobrança do estacionamento nas ruas.

Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram que a água da chuva invadiu as fábricas de Ford e Mercedes Benz, em São Bernardo, e o Shopping Central Plaza, em São Paulo. A Mercedes informou que teve a produção interrompida nesta segunda-feira.

Motoristas e pedestres passaram a noite no estacionamento do centro de compras enquanto esperavam a chuva diminuir. Ao longo da noite, o primeiro andar foi tomado pelas águas.

Na churrascaria Varandão, em São Bernardo, a água fez os carros boiarem no estacionamento e invadiu o salão, arrastando mesas e cadeiras.

Prefeito cancela licença

Como o prefeito Bruno Covas (PSDB) tirou uma licença não remunerada por motivos pessoais, coube ao presidente da Câmara dos Vereadores, Eduardo Tuma (PSDB), prefeito em exercício, concovar uma coletiva e prestar esclarecimentos sobre a chuva.

Segundo ele, não havia nada que pudesse ter sido feito para evitar a tragédia.

— Não havia ação preventiva que pudesse corrigir o que aconteceu. O volume de chuva foi muito maior do que o esperado —, disse.

No início da tarde, a prefeitura informou que Covas cancelou a licença e que vai reassumir a prefeitura nesta terça-feira.

O secretário das subprefeituras, Alexandre Modonezi, negou que a prefeitura tenha falhado na limpeza de bocas de lobo e galerias.

O governador João Doria (PSDB) sobrevoou a área atingida pela enchente e prestou solidariedade às vítimas. Os piscinões que fazem a drenagem da água das chuvas na Grande São Paulo são de responsabilidade do governo do estado.

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