Haddad escolhe mais duas mulheres para equipe do Ministério da Fazenda

Futuro ministro Fernando Haddad. Foto: Agência Brasil

Cobrado para ampliar a participação feminina na seu time no Ministério da Fazenda, o futuro ministro Fernando Haddad escolheu duas mulheres para a equipe econômica. Tatiana Rosito foi indicada para comandar a secretaria de Assuntos Internacionais e Fernanda Santiago para assumir a assessoria jurídica especial do ministro da Fazenda.

Ao anunciar as novas integrantes da sua equipe, Haddad disse que as duas áreas serão próximas a ele e terão uma interface grande com outros ministérios da Esplanada. Já são três mulheres na sua equipe. A subprocuradora-geral da Fazenda Nacional, Anelize Almeida, já tinha sido indicada para a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).

Fernanda Rosito é da carreira do Itamaraty e tem larga experiência na China, onde trabalhou por 10 anos ocupando postos no Banco dos Brics e na Petrobras. Já Fernanda Santiago é do quadro de carreira da PGFN. Trabalhou por 14 anos na Policia Rodoviária Federal antes de ingressar na procuradoria.

No anúncio, Haddad fez questão de ressaltar que as duas servidores do governo foram recomendas pelas próprias carreiras. Um sinal de que ele não quis enfrentar novas resistências da burocracia de servidores, já que a escolha de Robinson Barreirinhas para Receita Federal foi mal recebido justamente porque ele não é do quadro do órgão.

Para a escolha de Tatiana Rosito, Haddad disse que consultou o futuro ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o ex-chanceler Celso Amorim.

Segundo ele, são áreas que terão que estar muito integradas em função da agenda externa do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Tatiana já trabalhou na Fazenda como assessora internacional do ex-ministro Joaquim Levy, durante o governo Dilma Rousseff (PT). Na gestão Michel Temer, foi secretária executiva da Câmara de Comércio Exterior da Presidência da República (Camex).

OCDE

Haddad respondeu poucas perguntas durante o anúncio. Questionado sobre o ingresso do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o futuro ministro disse que Lula vai reavaliar o processo. Ele pontuou que o Brasil já um interface com a OCDE “que não é pequena”, mas ressaltou que o processo de entrada do Brasil na OCDE será definido pelo governo e não pela Fazenda. “O presidente Lula tem grande experiência de dois governos sobre esse assunto e com certeza irá revisitar isso em janeiro”, disse.

Haddad disse também que está superado o episódio em torno da indicação do Brasil do economista Ilan Goldfajn para a presidência do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Antes da eleição de Goldfajn para o comando do BID, a presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann, disse que seria “de bom tom” o banco multilateral adiar a escolha de seu novo presidente.

“Não tem a menor chance de termos problemas com BID”, disse.

Combustíveis

O futuro ministro da Fazenda mostrou certa irritação quando questionado sobre a desoneração dos combustíveis, que termina no próximo dia 31 de dezembro.

“Você está perguntando em dezembro o que esperar para janeiro, já estou te antecipando se eu responder. Você espera para janeiro o que for anunciado em janeiro”, respondeu. Lula descartou o acerto anterior entre Haddad e o ministro da Economia, Paulo Guedes, para a edição de uma Medida Provisória prorrogando a isenção dos tributos federais por mais um mês.

Fonte: Estadão