IFRN suspende calendário de aulas após técnicos e professores entrarem em greve

Segundo o reitor da instituição, professor José Arnóbio de Araújo Filho, cerca de 38 mil alunos são afetados pela decisão

Servidores e professores espalham faixas em campi do IFRN para comunicar sobre greve - Foto: Sinasefe / Reprodução
Servidores e professores espalham faixas em campi do IFRN para comunicar sobre greve - Foto: Sinasefe / Reprodução

O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) decidiu suspender o calendário acadêmico de aulas deste ano em 20 dos 22 campi. O motivo é o impacto da greve dos técnicos administrativos e dos professores, iniciada em 3 de abril.

A decisão de paralisar as aulas foi tomada em reunião do Colégio de Dirigentes, composto por gestores sistêmicos e diretores-gerais dos campi. A reunião determinou datas distintas para cada a suspensão das aulas em cada unidade do Instituto, conforme avaliação do contexto local.

Veja as datas da paralisação:

  • Segunda-feira (8): Campi de Caicó, Ceará-Mirim, João Câmara, Lajes, Macau, Mossoró, Natal-Centro Histórico, Natal-Zona Norte, Nova Cruz e São Paulo do Potengi
  • Terça-feira (9): Campi de Canguaretama, Currais Novos, Jucurutu, Natal-Central, Parnamirim, Santa Cruz e São Gonçalo do Amarante
  • Quarta-feira (10): Campus Parelhas
  • Segunda-feira (15): Campi de Ipanguaçu e Pau dos Ferros

Os campi Apodi e o Campus Natal-Zona Leste seguem com o calendário em andamento e haverá reavaliação após a realização de reuniões entre servidores.

Segundo o reitor da instituição, professor José Arnóbio de Araújo Filho, cerca de 38 mil alunos são afetados pela decisão.

O IFRN conta atualmente com cerca de 2,6 mil servidores. Pouco mais de 1,5 mil são docentes e aproximadamente 1.080 são técnicos-administrativos.

Reunião que definiu pela suspensão das aulas no IFRN – Foto: Sinasefe / Reprodução
Reunião que definiu pela suspensão das aulas no IFRN – Foto: Sinasefe / Reprodução

Serviços essenciais

Durante a reunião, os representantes da Reitoria apresentaram as informações acerca da recomendação emitida pelo Colégio de Dirigentes (Codir) quanto à suspensão do calendário acadêmico nos campi do IFRN e ainda uma proposição inicial quanto ao rol de serviços que podem ser considerados como essenciais.

“Usamos como base alguns documentos que podem servir de base para pensar esse escopo de atividades, destacando que nossa visão é sobre serviços e atividades essenciais e não sobre setores, por entendermos que um mesmo setor tem atividades que podem ser consideradas essenciais e outras que não”, destacou Lorena Faustino, diretora de Gestão de Pessoas do IFRN.

Após a apresentação da proposta, foi aberto espaço para diálogo e inclusão de serviços que fossem considerados essenciais pelo comando de greve.

Alguns pontos foram levantados por integrantes da representação do sindicato durante a reunião, como a indicação de perícias relativas à contratação de novos servidores e a concessão de pensões por morte, por exemplo.

“Nós levaremos essa proposição ao comando de greve e depois retornaremos com a devolutiva do grupo”, informou Fernando Varella, representante do Sinasefe Natal, o sindicato dos servidores da educação básica, profissional e tecnológica de Natal.

20 dos 22 campi da instituição terão aulas suspensas – Foto: InterTV Cabugi / Reprodução

O Sindicato Nacional dos Servidores da Educação Básica, profissionais e tecnológica (Sinasefe), anunciou que a greve nacional tem como pautas:

  • reestruturação das carreiras de técnico-administrativos e docentes;
  • recomposição salarial;
  • revogação de todas as normas aprovadas pelos governos anteriores que prejudicam a educação federal;
  • recomposição do orçamento e reajuste imediato dos auxílios e bolsas dos estudantes.

Estudantes

Outro ponto que não estava previsto na pauta, mas foi levantado pela representação estudantil que participou da reunião, tratou sobre estudantes em situação de vulnerabilidade social que são atendidos pelos programas de alimentação escolar.

A diretora de Atividades Estudantis (Digae), Valéria Oliveira, destacou que, nesse caso, existe um diálogo entre a Digae e profissionais nos campi no sentido de identificar casos de estudantes nessa situação e a busca de soluções para esses casos.