Testemunha diz que empresário e namorada brigavam por união estável

Amigos e parentes de Luiz Marcelo Ormond contam que ele e Júlia Cathermol, namorada que está foragida por suspeita da morte do empresário. Foto: Reprodução
Amigos e parentes de Luiz Marcelo Ormond contam que ele e Júlia Cathermol, namorada que está foragida por suspeita da morte do empresário. Foto: Reprodução

Amigos e parentes de Luiz Marcelo Ormond contam que ele e Júlia Cathermol, namorada que está foragida por suspeita da morte do empresário, brigavam muito e, em determinado momento, a vítima desistiu de oficializar a união estável do casal.

“Ele falava muito que vivia muito em briga com ela. Ele sempre falava comigo, que eles brigavam muito e tudo mais. Ele era um cara que tinha medo de casar, que ele falava pra mim, por causa dos bens dele, com medo de separar” contou um amigo de Luiz Marcelo.

Em abril, Marcelo chegou a atualizar o status de relacionamento para casado no seu perfil de rede social.

“O Luiz era uma pessoa maravilhosa. É uma pessoa que vai deixar muita saudade. Não dá para entender como uma pessoa consegue entrar aqui e ter qualquer tipo de maldade com o ser humano tão bom como era o meu primo”, diz Pedro Paulo Ormond.

Motivação econômica

O delegado Marcos Buss, da 25ª DP (Engenho Novo), afirmou nesta quinta-feira (30), que Júlia não gostou de saber que o namorado havia desistido de formalizar a união estável com ela e que a motivação para o crime foi financeira.

“Isso até robustece a hipótese de homicídio e não de um latrocínio, puro e simples, porque o plano inicial me parecia ser realmente eliminar a vítima depois que essa união estável estivesse formalizada”, analisou o delegado.

Luiz Marcelo foi encontrado morto dentro do apartamento dele no Engenho Novo, na Zona Norte do Rio, no dia 20 de maio. A suspeita é que ele tenha sido assassinado pela namorada com um brigadeirão envenenado.

As investigações sobre o caso indicam que Julia foi fria. Em seu depoimento, a suspeita disse que Luiz serviu o café da manhã dela na segunda de manhã, o que é impossível de acordo com a necropsia, já que o empresário já estava morto.

“É um caso aberrante porque evidência extrema frieza. Ela teria permanecido no interior do apartamento da vítima, com o cadáver, por cerca de 3, 4 dias. Lá ela teria dormido ao lado do cadáver, se alimentado, ela teria inclusive descido para a academia, se exercitado, retornado para o apartamento onde o cadáver se encontrava”, disse o delegado Marcos Buss.

“Nós estamos seguindo uma linha que seria um homicídio qualificado, qualificado aí pela torpeza, afinal ceifou a vida da vítima pra pegar os bens e também pelo emprego de veneno”, completou.

‘Cigana’ mentora

A Polícia Civil não tem dúvidas de que Júlia matou Luiz Marcelo e permaneceu no apartamento dele por alguns dias, junto com o corpo.

Os investigadores suspeitam da participação de pelo menos uma outra pessoa no crime. Suyany breschak se apresenta como cigana. De acordo com a polícia, ela pode ter ajudado Julia a planejar a morte de Luiz Marcelo.

Suyany contou que realizava limpeza espiritual em Júlia, que devia a ela R$ 600 mil pelos trabalhos prestados. Segundo ela, Luiz sabia que Júlia era garota de programa, pois foi assim que ele a conheceu.

Ela também disse em depoimento que Júlia admitiu ter colocado 50 comprimidos moídos em um brigadeirão e dado para Luiz Marcelo comer.

Suyany também afirmou que Júlia admitiu ter coberto o corpo com lençóis e cobertores e colocado o ventilador direcionado para o corpo porque estava fedendo demais. A cigana afirmou que Júlia vinha reclamando há tempos de que não suportava mais Luiz Marcelo.

A mulher que está presa confessou ter recebido o carro de Luiz Marcelo das mãos de Júlia, que levou o veículo até Araruama, na Região dos Lagos, com vários pertences da vítima, como um computador. O carro seria o pagamento de parte de uma dívida.

O veículo foi entregue a um homem chamado Victor Ernesto de Souza Chaffi, que foi preso por receptação.

“Não dá para entender como uma pessoa consegue, né, entrar aqui e ter qualquer tipo de maldade com o ser humano tão bom que era o meu primo”, comentou Pedro Paulo Ormond, primo da vítima.

“Luiz era uma pessoa maravilhosa. (…) É uma pessoa que vai deixar muita saudade”, completou.

Luiz Marcelo Antônio Ormond foi achado morto no apartamento onde morava no Engenho Novo — Foto: Reprodução

Luiz Marcelo Antônio Ormond foi achado morto no apartamento onde morava no Engenho Novo — Foto: Reprodução

O advogado de Suyane, Cleison Rocha, diz que ela é inocente e está sendo acusada injustamente. “A Suyane trabalha com cartas e búzios, e a Júlia se consultava apenas com a Suyane. Não são amigas, elas têm apenas uma relação profissional.”

Polícia divulga cartaz pedindo informações

O Disque Denúncia, divulgou nesta quarta-feira (29), um cartaz para ajudar no inquérito policial instaurado pela 25ª DP (Engenho Novo), a fim de obter informações que possam levar à localização e prisão de Júlia Andrade Cathermol Pimenta.

Polícia divulga cartaz pedindo informações de Júlia Andrade Cathermol Pimenta, suspeita de matar o namorado — Foto: Divulgação

Polícia divulga cartaz pedindo informações de Júlia Andrade Cathermol Pimenta, suspeita de matar o namorado — Foto: Divulgação

Júlia Andrade Cathermol Pimenta — Foto: Reprodução

Júlia Andrade Cathermol Pimenta — Foto: Reprodução

Fonte: g1