Vereador empregou parentes como “fantasmas” como pagamento por alterar fila de exames e cirurgias, afirma MP

Operação do Ministério Público na manhã desta terça-feira (20) – Foto: MPRN / Reprodução

Promotores que estão à frente das investigações que resultaram na Operação Fura-Fila, deflagrada nesta terça-feira (20) no Rio Grande do Norte, apontam que o vereador de Parnamirim Diogo Rodrigues (PSD), preso nas primeiras horas da manhã, empregou parentes como “funcionários fantasmas” como pagamento por alterar de forma fraudulenta a fila de exames e cirurgias na rede pública de saúde.

Segundo o Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), entre os parentes empregados por Diogo em outros municípios está a mãe dele, que foi incluída na folha de pagamento de um município sem prestar devidamente o serviço, segundo o órgão. O dinheiro, assim que caía na conta, era recolhido pelo próprio vereador, sugerem as investigações.

O MPRN afirma que, além de empregar parentes como “fantasmas”, o vereador também recebia pagamentos em dinheiro para operar o esquema ilícito. Por isso, a Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 100 mil em bens do político para garantir eventual pagamento de multa e/ou ressarcimento de recursos públicos.

Diogo Rodrigues, dizem os promotores de Justiça, modificava a fila de espera por cirurgias e exames para privilegiar pessoas ligadas a ele ou a políticos que o procuravam, como o deputado estadual Souza Neto (PSB) e secretários de Saúde de quatro municípios.

Vereador Diogo Rodrigues (PSD), de Parnamirim – Foto: Reprodução

Segundo as investigações, o vereador tinha acesso ao sistema de marcação de procedimentos de saúde mesmo após ter deixado o cargo de chefe do setor de Regulação da Prefeitura de Parnamirim. Ele largou o posto seis meses antes da eleição de 2020 – quando foi candidato a vereador, sendo o segundo mais votado. A modificação da fila de espera do Sistema Único de Saúde (SUS) teria acontecido principalmente durante o período eleitoral, em troca de votos ou pagamentos em dinheiro.

“A mãe conseguiu cargos e uma concunhada também. Esses eram os familiares mais próximos. E não trabalhavam. Identificou-se que assim que o dinheiro caía o Diogo já sacava os valores”, disse o promotor Sergio Gouveia, que participou de coletiva de imprensa para explicar os detalhes da operação. Além dele, integraram a coletiva os promotores de Justiça Fausto França, Rafael Galvão, Kalina Filgueira e Luciana Maciel.

A defesa de Diogo Rodrigues negou as acusações e afirmou que, após ser afastado do cargo de chefe do Setor da Regulação, o vereador não tinha mais acesso ao sistema. Já Souza Neto explicou, em vídeo publicado nas redes sociais, que sempre foi procurado pela população para saber como anda o agendamento de exames, mas que não praticou atos ilícitos.


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