
O influenciador digital Leonardo de Jesus, o Léo Índio, sobrinho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmou nesta terça-feira, 1º, que se tornou réu no Supremo Tribunal Federal (STF) pelo 8 de Janeiro por perseguição política e que buscou asilo político na Argentina para preservar sua integridade. Em um e-mail enviado à Coluna do Estadão, Léo Índio negou ter colaborado com uma tentativa de golpe de Estado. Para a Procuradoria-Geral da República (PGR), o influenciador teve participação ativa no “planejamento, incitação e execução” dos atos golpistas.
No dia do ataque às sedes dos três Poderes, o influenciador digital publicou uma selfie na cobertura do Congresso Nacional, mas depois apagou a foto. Em janeiro ele foi denunciado pela Procuradoria Geral da República por dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. A Primeira Turma do STF recebeu a denúncia por unanimidade e tornou Léo Índio réu em fevereiro.
No e-mail, o influenciador digital disse que nunca atentou contra o Estado Democrático de Direito ou colaborou com uma tentativa de golpe. Também rechaçou ter depredado patrimônio público.
“Enquanto inocente, continuarei gozando do meu direito de ir e vir”, afirmou Léo Índio, completando que acredita que a Justiça brasileira respeitará seu direito de defesa “até que seja concluído o processo que me colocou na condição refutável de réu por pura e exclusivamente perseguição política. Com intuito de preservar a minha integridade física, moral e intelectual, busquei asilo político”.
Na última sexta-feira, 28, a defesa de Léo Índio afirmou ao Supremo que ele estava na Argentina, em Puerto Iguazú, cidade que faz fronteira com o Paraná. O documento com permissão de residência temporária naquele país é válido até 4 de junho e, segundo os advogados, dá ao réu no STF permissão para morar, ser remunerado, estudar e usar serviços públicos na Argentina.
Com o nome de urna “Léo Bolsonaro” e panfletos com o ex-presidente, o influenciador digital não se elegeu vereador em Cascavel (PR) no ano passado. Em 2022, último ano do governo Bolsonaro, tentou, sem sucesso, obter uma cadeira de deputado distrital em Brasília.
Leia a íntegra da mensagem de Léo Índio:
“Enquanto cidadão brasileiro e inocente, como está provado nos autos da minha defesa protocolada na Suprema Corte, continuarei gozando do meu direito de ir e vir. Não estou na Argentina na condição de foragido pois não me fora imposta qualquer restrição ou condenação pela justiça brasileira, bem como acredito que esta cumprirá o seu dever constitucional respeitando o devido processo legal, o direito à defesa e o contraditório, e a presunção de inocência até que seja concluído o processo que me colocou na condição refutável de réu por pura e exclusivamente perseguição política.
Com intuito de preservar a minha integridade física, moral e intelectual, busquei asilo político. E reitero, nunca atentei contra o Estado Democrático de Direito nem promovi qualquer iniciativa ou colaborei com alguma tentativa de golpe de Estado e de depredação ao patrimônio público.”
Fonte: Estadão