No RN, 80% dos pacientes internados com Covid não estão vacinados ou têm apenas uma dose

Entre os poucos vacinados que pegaram Covid e precisaram de internação, estão apenas pessoas com mais de 50 anos

Segunda dose está disponível em todos os locais de vacinação - Foto: Manoel Barbosa / Secom

Mais um dado divulgado nesta sexta-feira (5) reforça a importância da vacinação no enfrentamento da pandemia do coronavírus. Oito em cada dez pacientes internados com Covid-19 no Rio Grande do Norte nos últimos três meses não estavam completamente vacinados, segundo dados reunidos pelo Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (Lais), da UFRN.

De acordo com o imunologista e pesquisador Leonardo Lima, desse grupo (80% dos internados), a maior parte – 60% do total de internados – é de pessoas que sequer iniciaram o ciclo vacinal, ou seja, não receberam nem a 1ª dose. O restante recebeu apenas a 1ª dose e não voltou para concluir o esquema vacinal, porque não quis ou porque se contaminou no intervalo entre as doses.

O pesquisador acrescenta que, entre os poucos vacinados que pegaram Covid e precisaram de internação, estão apenas pessoas com mais de 50 anos, o que reforça a necessidade de os idosos receberem a dose de reforço (3ª dose). Nesse público, a eficácia da vacina cai com mais rapidez.

“Aqueles pacientes com idade mais avançada, de 50, 60 anos, não podem atrasar a segunda dose de jeito nenhum. Eles continuam sendo vulneráveis ao adoecimento de forma moderada ou grave que necessita de hospitalização. A necessidade agora é de ampliar a vacinação, com a segunda dose e intensificando a imunização daqueles pacientes que não tomaram nenhuma dose. Esses pacientes (com ciclo vacinal incompleto) continuam adoecendo como a população de forma geral adoecia em dezembro do ano passado, quando não tínhamos imunizante”, enfatizou Leonardo Lima.

O imunologista do Lais defende, inclusive, que seja encurtado o prazo para que idosos recebam a dose de reforço. Atualmente, a regra é ter mais de 60 anos e ter recebido a 2ª dose há pelo menos cinco meses. “Encurtar janela da 3ª dose vai ser importante para reduzir esse perfil de idosos hospitalizados que está acontecendo recentemente”, finalizou.