PT aciona Justiça para barrar falas “políticas” de Campos Neto, presidente do BC

Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto - Foto: Edilson Rodrigues / Senado
Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto - Foto: Edilson Rodrigues / Senado

O PT protocolou nesta quarta-feira (19) uma ação na Justiça contra o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, para impedir o economista de realizar “movimentação política”, “pronunciamentos de natureza político-partidárias” e manifestação de “qualquer apoio a candidatura ou pretensão de ocupação de cargo político”.

O movimento se dá no dia em que o Copom (Comitê de Política Monetária) anunciou o fim do ciclo de cortes da Selic, a taxa básica de juros, e manteve o indicador em 10,5% ao ano.

O documento é encabeçado pela presidente do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), e por outros integrantes do PT. A ação cita o Artigo 5º da Constituição Federal e diz que Campos Neto fere o Brasil com declarações “lesivas” enquanto ocupa cargo público.

“A conduta de direcionamento político-ideológico pode impactar sobre a adequada condução da política monetária e financeira nacional, caracterizando, portanto, ato atentatório à moralidade administrativa e possível conflito de interesses”, diz o texto.

O pedido menciona o jantar oferecido na última semana pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em homenagem ao presidente da autarquia no Palácio dos Bandeirantes.

O PT se refere ainda a uma suposta sinalização de Campos Neto de que aceitaria ser ministro da Fazenda de Tarcísio se ele fosse eleito à Presidência da República em 2026 e ao fato do presidente do BC não ter contestado tais afirmações.

Além disso, cita a participação e a influência de Campos Neto na economia, com o seu papel no Copom e afirma que “sua atuação guiará diretamente os vários agentes que fazem parte da economia nacional”, como empresários e integrantes do mercado financeiro.

“As notícias sobre as pretensões eleitorais do atual presidente do Banco Central do Brasil evidenciam potencial conflito de interesses, já que sugerem uma atuação voltada a intervir, direta ou indiretamente, em favor de interesse privado (…) Ainda, demonstram potencial violação aos padrões éticos que devem reger a conduta dos ocupantes de postos da alta administração federal”, diz o documento.