TCU aprova contas do Governo Lula em 2023, mas aponta distorções de R$ 23 bilhões

Plenário do Tribunal de Contas da União (TCU) - Foto: Antonio Leal / TCU
Plenário do Tribunal de Contas da União (TCU) - Foto: Antonio Leal / TCU

O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou com ressalvas, nesta quarta-feira (12), as contas de 2023 do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O relator foi o ministro Vital do Rêgo.

As ressalvas se devem a distorções de R$ 23 bilhões encontradas pelos técnicos do tribunal. Tratam-se, basicamente, de erros de metodologias de cálculos feitos pelo governo. Além disso, a auditoria apurou R$ 153 bilhões em limitações de escopo no ativo total. Neste caso, são valores que o TCU não conseguiu confirmar a qualidade do número apresentado. Na prática, isso acabou por impactar as demonstrações contábeis da União, segundo o tribunal.

O exame das contas é realizado anualmente pelo TCU. Geralmente, as contas são aprovadas com ressalvas, como ocorreu neste ano. A última vez que o tribunal recomendou a reprovação ocorreu em 2016 – referente ao exercício de 2015 –, durante a gestão de Dilma Rousseff (PT). Na ocasião, a decisão se baseou em 10 irregularidades identificadas pelo TCU, incluindo o atraso nos repasses aos bancos públicos, o que ficou conhecido como “pedaladas fiscais”.

Sobrecarga da Previdência

Em seu voto, o ministro Vital do Rêgo apontou para a sobrecarga da Previdência no orçamento da União, destacando o elevando custo dos militares.

“Nenhum dos sistemas previdenciários tem sido capaz de prover a cobertura dos respectivos benefícios, mas desponta, nesse aspecto, o Sistema de Proteção dos Militares, cuja relação entre receitas e despesas, em 2023, foi de apenas 15%, tendo arrecadado R$ 9 bilhões em contraponto a uma despesa de R$ 59 bilhões. No caso do RPPS, a relação de cobertura foi próxima de 42%”, assinalou.

Pensão para filhas de militares

Mais incisivo ainda contra os privilégios das Forças Armadas, o ministro Walton Alencar criticou, em seu voto, a pensão vitalícia para filhas solteiras e a pensão por “morte ficta”, pago aos familiares do militar expulso da corporação. “Ou seja, comete um crime e institui a pensão para os familiares”, disparou o Alencar.

Benefícios fiscais

No relatório, Vital do Rêgo também alertou sobre a multiplicação dos benefícios fiscais no País. Em 2023, foram instituídas outras 32 desonerações tributárias, com impacto de R$ 68 bilhões na arrecadação no União. Como exemplo negativo, ele citou o caso da Ford, que fechou as fábricas no Brasil em 2021 depois de usufruir cerca de R$ 20 bilhões em incentivos fiscais, “sem que fosse demonstrada concretamente qualquer contrapartida”.

“A disparada da Dívida Pública Federal em 2023 revela o quanto pode ser um contrassenso que o Estado abra mão de receitas, mediante a concessão de novos benefícios tributários, ao mesmo tempo em que se endivida, pagando juros”, afirmou.

Desafios do País

O relator destacou cinco desafios do País que devem ser objeto de atenção nos próximos anos:

  • Aumento da produtividade e geração de renda;
  • Melhoria da qualidade das instituições públicas para aumento da eficiência governamental;
  • Reforma fiscal e política fiscal responsável;
  • Educação pública de qualidade para requalificação da força de trabalho;
  • Redução das desigualdades.