Ao tornar pública a falta de fundo eleitoral como motivo para desistir da disputa ao Senado, Carlos Eduardo deixou claro o sentimento de isolamento dentro do União Brasil. Filiado há pouco mais de um mês, ele entrou no partido sob a sinalização de que teria espaço na chapa majoritária. A demora de quase um mês para comunicar que sua candidatura não teria suporte financeiro apenas reforçou a percepção de desgaste e desconforto interno.
Nos bastidores, o entendimento é de que o problema nunca foi exatamente o fundo eleitoral, mas sim a resistência da senadora Zenaide Maia ao seu nome. Aliados de Allyson Bezerra e José Agripino enxergavam em Carlos uma peça importante para ampliar a penetração eleitoral do grupo em Natal. Ainda assim, prevaleceu o temor de que Zenaide pudesse rever sua posição política e retornar ao campo da governadora Fátima Bezerra.
No fim, a saída de Carlos Eduardo expõe mais do que uma desistência: revela fissuras, vetos silenciosos e um processo conduzido de forma pouco elegante com um ex-prefeito da capital.