Maria Liz

Maria Liz

Artigos imersivos que convidam à reflexão e à pesquisa na arte e na subjetividade humana. Com foco na geração Z, cultura, música, literatura e no que a arte pode abarcar. A “Retrato Z”, como o nome já diz, é um retrato voltado para jovens e adultos que apreciam a cultura pop e procuram destrinchar o que os acontecimentos mundiais sugerem no cotidiano global.

Gabriel Ganley: A pulverização do imaginário corporal e a masculinidade adoecedora

Foto: Reprodução/Instagram

Gabriel Ganley, influenciador do mundo Wellness, teve morte súbita causada por cardiomiopatia hipertrófica. Gabriel foi encontrado morto no apartamento onde morava na Zona Leste de São Paulo. O influenciador expressava explicitamente nas redes sociais o seu uso de hormônios para o desenvolvimento hipertrófíco e apareceu em diversos conteúdos reforçando comportamentos que indicava o abuso de substâncias.

O mundo da internet proporcionou um lugar sem regimentos severos seguidos consequências, aprendemos a viver nessa “terra sem lei”, e como o digital virou uma extensão do que há no físico, o mundo real intensificou os fenômenos abarcados pelo digital por consequência.

As corridas, os shots matinais, diversas vitaminas, academia  o uso generalizado de remédios de diabetes para perda de peso, a exigência do corpo perfeito e disciplina,  se teletransportaram para o cotidiano global como uma febre.  O que veio para interromper um ciclo vicioso e prejudicial de abusos de substâncias e negligências nas gerações anteriores, ganhou uma nova forma,  mas dessa vez, mascarada de “auto cuidado”.

Números da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mostram que o uso de testosterona cresceu 670% nos últimos cinco anos, evidenciando a expansão desse mercado no país. Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, a estimativa é que 3,3% da população no país está inserida nessa realidade. Sendo 6,4% homens e 1,6% mulheres - seja usuária ocasional ou frequente -, até 18,4% entre esportistas recreacionais, 13,4% entre atletas, 12,4% entre a população carcerária e 2,3% entre estudantes do ensino médio

São dados alarmantes sobre a saúde, não só física. Esses dados revelam um padrão de consumo estético instituído de maneira dissimulada nas redes, levando a decadência física e mental.

Me pergunto em que momento a deliberação desse mercado incidiu de forma tão violenta na nossa sociedade a ponto de causar desestabilização física e emocional na população.

Como deixamos isso acontecer? Quando iremos nos responsabilizar e trazer não de forma individual o problema, mas como um caso severo de saúde pública. 

Corpo perfeito e afirmação da masculinidade 

A política do “shape perfeito” inundou a internet nos últimos anos, com maior incidência nos homens. Diversos perfis de influencers fitness, estimulavam a academia como forma de “curar” uma determinada lacuna emocional. 

Páginas de memes engajando cada vez mais o comportamento do “homem triste, deve puxar ferro”, um estilo de vida que substituiu de forma inconsciente um dos principais métodos no auxílio para uma boa saúde mental.

Termos como “frango”, para determinar um padrão de homens que não atingiram esse ideal, ficou cada vez mais comum em rodas de amizades masculinas, como xingamento, o estigma se popularizou e levou a uma masculinidade pautada nessa exigência estética.

Mais uma vez as afirmações masculinas inseridas na sociedade de forma sublime, mas muito bem pensadas para reforçar uma conduta adoecedora. Dados de pesquisas nacionais e internacionais indicam que homens costumam procurar serviços de saúde mental com menor frequência quando comparados às mulheres.

Segundo o Ministério da Saúde (DataSUS), o Brasil registrou mais de 107 mil mortes por suicídio entre 2015 e 2022, quase 80% das vítimas eram homens. Dados do 3º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD III)  revelaram que o consumo de álcool e drogas ilícitas no país é mais frequente do que indicavam pesquisas anteriores, especialmente entre homens. 

Essas pesquisas comprovam a falta de conscientização e movimentação social para o cuidado com a saúde mental masculina, que  muitas vezes resulta em um acontecimento fatal. Os padrões tóxicos do “o que é ser homem”, estão cada vez mais fragilizados culminando em casos de negligência.

Remixes feitos com IA e fragilização da legitimidade artística

Foto: Reprodução

Enquanto eu rodopiava esse mundo imersivo de informações vaporizadas e tendências passageiras, me deparei com a seguinte notícia: “Spotify anuncia a permissão de remix de músicas feitas por IA”. Logo me arrematou pensamentos sensatos e já anteriormente discutidos pelos estudiosos da comunicação sobre a regulamentação dessas novas entidades, e como isso poderia de algum modo afetar a vida cotidiana. 

O Spotify se associou à Universal Music Group para permitir que os usuários criem remixes e versões de músicas de artistas da gravadora por meio de inteligência artificial, função essa que só será autorizada por meio de uma tarifa extra na assinatura da plataforma. 

“Pela primeira vez, os fãs poderão criar legalmente versões e remixes a partir dos catálogos dos artistas e compositores participantes, de modo que tanto o artista original quanto o compositor compartilhem o valor criado", disse Charlie Hellman, chefe de música do Spotify, durante o dia do investidor da companhia. 

A nova função se aplicará apenas a artistas que tenham dado seu consentimento, tanto o intérprete original quanto o compositor receberão parte da receita gerada. É legítimo nos questionarmos como será a divisão desses royalties, tendo em vista o posicionamento controverso da empresa sobre a receita distribuída para os artistas cadastrados. Me provoca eticamente no quesito, música, corpo, mente pensante, até nos próprios artistas de remixs. De que modo será executado esse novo modelo?, no que isso pode impactar produções menores e de cunho independente?. 

Gravação carrega um processo particular, mesmo quando é uma regravação, substituir esse mecanismo que é puramente nosso, me leva para um lugar de terceirização não apenas do trabalho em si, mas do pensamento. O senso crítico e emocional, a ética, a estética, está a mercê de uma nova tecnologia que deveria ter como proposta outras atribuições. Até os próprios influenciadores e artistas de remixes, que pensam milimetricamente em cada detalhe na hora de reproduzir uma faixa já existente, que lugares eles ocuparão nessa vasta proposta de possibilidades, são tantas nuances. Não acho que isso venha para facilitar ou dar poder de criação aos usuários e fãs, mas mostra a precarização da atividade humana no quesito sentimento, pesquisa, sensibilidade e estudo. E a falsa sensação de produção mercadológica e incidência no mercado.

Até agora, o Spotify havia proibido músicas geradas com inteligência artificial a partir da obra de um artista sem sua autorização expressa, embora permita o envio de músicas criadas com IA de forma geral. O acordo com a Sony coloca o Spotify na reta de distribuidoras de músicas geradoras de conteúdos com inteligência artificial, obtendo concorrência direta com aplicativos  consolidados no mercado dessa mesma categoria, a Suno e a Udio. 

O diretor-executivo da Universal Music,  Lucian Grainge citou nesta coletiva, classificando a iniciativa como "firmemente centrada no artista, baseada em uma IA responsável", e afirmou que ela "impulsionará o crescimento de todo o ecossistema".

Durante o evento, o Spotify também anunciou que dará aos assinantes pagos acesso antecipado para compra de ingressos para os shows de seus artistas mais ouvidos. O novo serviço, chamado "Reserved", será lançado este ano nos Estados Unidos antes de se expandir para outros mercados. Os assinantes serão selecionados com base nos dados de escuta, incluindo a frequência com que reproduzem determinado artista em streaming, a variedade de faixas que ouvem de seu catálogo e se salvaram músicas em sua biblioteca. Eles terão cerca de 24 horas para comprar até dois ingressos por meio de uma plataforma de vendas parceira.

O aumento das taxas de shows no Brasil de artistas, principalmente internacionais, dobraram de valor nos últimos anos. Esse fenômeno ocorre não apenas pela demanda, fluxo de mercado, e inflação, mas também a falta de rentabilidade dos streams.  Shows viraram a principal fonte de renda dos artistas na atualidade. As empresas de movimentação fonográfica sabem dessa ocorrência . E agora, o Spotify vai propor essa “solução”, baseada em uma lacuna gerada pelas próprias empresas que abastecem o mercado na contemporaneidade.

Fonte: G1pop & arte

Humberto Gessinger revivendo clássicos de Engenheiros e programação artística na capital;  confira 

Foto: Divulgação

A cidade do sol conta com programações por suas ruas, desde barzinhos e restaurantes lotados até boates e espaços de integração artística. Confira as programações culturais da cidade e uma indicação de especial de cultura pop ao final da leitura. 

SEXTA-FEIRA(22) 

PROGRAMAÇÃO TEATRAL/ MÚSICA

O Teatro Riachuelo recebe Humberto Gessinger com os clássicos discos ao vivos do “Acústico Engenheiros do Havaii” e “Acústico Novos Horizontes”. Um espetáculo que explora sonoridades já abraçadas pelo público mas em um momento de maturidade e imersão completa a obra. 

Horário: 21h00

Local: Teatro Riachuelo

Classificação: 16 anos 

Ingressos: teatroriachuelonatal.com.br

O TAM apresenta o Stand-up “Pastor Machado” com o comediante e influenciador Magno Martins.  Magno, criou relevância nas redes sociais e conta com mais de 600 mil seguidores, ele se mostra com vídeos e recortes das cenas dos seus espetáculos, em uma conversa com o seu fantoche, intitulado “pastor magno”. A apresentação contempla humor e sátiras cotidianas. 

Horário: 20h00

Local: Teatro Alberto Maranhão 

Ingressos: olhaoingresso.com.br

Classificação: Livre

SÁBADO(23) 

ARTES PLÁSTICAS E EXIBIÇÕES 

A Pinacoteca Potiguar estreia a exposição “Contra a Máquina de Morrer” por Janderson Azevedo e a curadoria de Sanzia Pinheiro. As obras contemporâneas imergem nos processos políticos e sociais, além de percorrer outras obras pessoais do artista na mostra. A exposição ficará aberta para visitas até o dia 06 de junho. 

Horário: 9h00 ás 17h00

Local: Pinacoteca Potiguar 

Entrada: Gratuita

Classificação: Livre

O centro cultural de galeria e cinema escola, Margem Hub, exibe o longa-metragem “Os arcos dourados de Olinda”.  Uma obra documental que passeia pela cidade e mistura cultura popular, investigação e humor.

Horário da exibição: 18:00

Local: Margem Hub

Entrada: Gratuita

Ingresso: Retirada gratuita no site Sympla

Além da amostra fílmica, a galeria conta com a exposição plástica “Chuvas de Pólen” do artista Ítalo Trindade. 

DOMINGO(24) 

PROGRAMAÇÃO TEATRAL/MÚSICA 

O TAM recebe o espetáculo infanto-juvenil “Baú de Emilia”. Uma clássica leitura da obra o “Sítio do Picapau Amarelo” de Monteiro Lobato. Resgatando a essência da história e adaptando para o mistério do baú que acompanha a personagem.

Horário: 16h00

Local: Teatro Alberto Maranhão 

Ingresso: Retirada na bilheteria física do Teatro 

Classificação: Livre

O Bosque dos Namorados(Parque das Dunas), apresenta mais um clássico musical com o “Som da Mata” neste domingo para encerrar a programação do final de semana na capital. A apresentação especial da cantora, compositora e instrumentista Tiquinha Rodrigues. 

Horário: 16h30 

Local: Parque das Dunas

Entrada: R$1 entrada do parque 

Classificação: Livre 

RECOMENDAÇÃO DO MUNDO POP

A série da Amazon Prime encerra a sua trajetória com 5 temporadas, The Boys. Contempla temas importantes sobre política e sátiras do momento atual que atravessa a humanidade de forma social e tecnológica. Disponível no streaming “Amazon”

Aproximação do passado ou a ausência de um novo?

Foto: Reprodução/Cosmos

A maneira que o mundo se apresenta hoje representa uma mudança global de consumo e comportamento. Após a pandemia da Covid-19, observou-se um movimento que “resgata” hábitos e produtos de gerações anteriores. Vinis, câmeras analógicas e revistas ressurgiram como um símbolo de nostalgia, passaram a guiar tendências de consumo e até o que representa de mais “cool” para a geração atual.

Os termos de performance mudaram, agora não simbolizam mais um fazer artístico, e sim um conglomerado de exigências estéticas e práticas para determinar uma classe, um status social e conexões humanas partidas de núcleos digitais.

O vinil ultrapassou a marca de US$1 bilhão em receita, pela primeira vez desde 1983, segundo o relatório anual da Recording Industry Association of America, divulgado em maio. Ao todo, foram 46,8 milhões de unidades vendidas, um crescimento de 9,3% em relação ao ano anterior, impulsionado principalmente por fãs que buscam experiências musicais únicas.

Além da proposta experimental, o vinil se tornou artigo de luxo. Se antes era utilizado unicamente para a reprodução musical, agora é visto também como item de colecionador, com diferentes versões e discos personalizados. De acordo com a Discogs, o maior banco de dados online de música e mercado de compra/venda de discos de vinil do mundo, o valor médio do vinil cresceu 24% nos últimos cinco anos, podendo variar entre R$200 e R$10.000, no caso de peças raras.

A Genz virou uma vitrine do retrô, enaltecendo padrões analógicos de comportamento, estética e vestimenta. O Adidas Samba voltou, as camisas de time retrô começaram a circular, calças baggy, fones com fio, câmeras cybershot e a explosão de artigos do início dos anos 2000.

Com tanto resgate ao passado, só nos resta pensar no que estamos dispostos a construir. Acho preguiçoso falar que a geração Z não tem nada a oferecer, que é uma geração acomodada e parte de práticas reprodutivas sem nexo. Mas, quando rolamos o feed e nos deparamos com os mesmos conteúdos resgatados por anteriores ou uma tentativa visual escancarada do que já existia em outro “zeitgeist”, o questionamento do marco que deixaremos impresso na história se torna uma dicotomia.

O desespero por experiências e resgate se deve muito ao fato da exposição incontrolada de estímulos tecnológicos e visuais. Em uma geração onde o acúmulo e a oferta são o que ditam as regras, a procura por algo concreto tornou-se refúgio.

Segundo o psicólogo especialista em nostalgia Clay Routledge, vice-presidente de pesquisa e diretor do Archbridge Institute, o fenômeno chamado de "nostalgia histórica" está em alta entre jovens que não viveram a adolescência nos anos 90. De acordo com o Dr. Routledge, a nostalgia histórica não é apenas uma “lembrança idealizada”.

O estudo "Nostalgia Histórica na América Moderna" revelou que 63% dos entrevistados recorrem a memórias de épocas antecedentes como estratégia emocional para lidar com o estresse e a ansiedade.

É muito simples abrir uma plataforma digital e se deparar com milhares de possibilidades de escuta: artistas ranqueados em top 10 mais ouvidos, playlists prontas, músicas avulsas sugeridas, botão de “ordem aleatória em uma discografia”.

Parar um instante e não se ver em meio às possibilidades soa terapêutico. Escutar um disco do início ao fim, usar mais de um dedo para escolher o estilo desejado, sem uma gama de possibilidades e a probabilidade gritante de outro algo mais interessante cruzar esse caminho, tornou-se a verdadeira experiência que a geração Z busca.

Parte do processo é dar conta de si, do tempo, do fazer. A internet nos aproximou e facilitou incontáveis coisas, mas é nítido que nos roubou a concepção real de escolha e apreciação. Grande número de viabilidades e alcances gera perdas incontáveis, e a geração se torna perdida para o novo.

Com tantas janelas abertas, escolher uma para adentrar com propriedade é um desafio. Esse resgate ao passado busca, sobretudo, a experiência de um processo ininterrupto por estímulos e vislumbra como existia o mundo antes de aparatos tecnológicos inevitáveis.

Por isso, surge a reprodução de que essa é uma geração desenvolvida no “comodismo” e com percepções mutáveis de valores. No mundo atual, os números mudam, as pessoas também, o tempo não existe nessa geração, o próximo sempre abraça o antes e o futuro é a perspectiva de uma nova chegada de algo mais presunçoso.

O resgate ao passado surge como refúgio de um mundo alimentado pelo excesso. A tendência se molda sob este prisma, tornando o processo terapêutico e anestesiante para mentes cansadas, em um aneurisma de reprodução que molda a tendência e superaquece o mercado, propondo o processo inverso do que foi posto inicialmente.

No fim, a Genz pode sim se sentir pertencente e mais acolhida com o processo que a escuta de um disco sugere. Mas, certamente, a foto da vitrola com uma luz amarela reforça, sim, um posicionamento de classe e, como a própria geração dita, “performance”, tornando o refúgio mais um lugar de reprodução frenética.

Entre versos, discos e gerações: quem é Maria Liz, a voz por trás da “Retrato Z” no Portal 98

Foto: Arquivo

O barulho de uma redação nunca é completamente compreensível. Mesmo quando os microfones são desligados, os cortes de vídeo terminam e as manchetes já foram publicadas, há sempre alguém observando o mundo como quem tenta decifrar um idioma secreto.

Trabalhando em uma das ilhas de edição do Grupo Dial Natal, enquanto a política fervia no noticiário diário e o ritmo frenético das manchetes disputa a atenção com as crises do país, Maria Liz parecia procurar outra coisa. Não apenas a notícia, mas o que existia atrás dela.

Era o detalhe.

A entrelinha.

O silêncio entre uma palavra e outra.

A geração que sente demais e explica de menos.

Foi assim que nasceu a observadora, antes de tudo, uma questionadora nata, dona de intermináveis "porquês".

Maria, Maria, é um dom!

Antes mesmo de entender o peso de uma redação jornalística, Maria Liz já se acostumara a procurar ritmo nas palavras. Cresceu cercada por poesia e pela musicalidade quase inevitável dos cordéis.

Ainda bem jovem, descobriu que métrica também era uma forma de enxergar o mundo. As rimas vinham antes da música. A música veio depois, como consequência natural de alguém que já escutava as frases como quem escuta refrões.

Aos 16 anos, iniciou oficialmente a carreira artística como cantora e compositora. Mas havia algo que escapava das canções. Maria não queria apenas cantar sentimentos; queria entender de onde eles vinham.

Enquanto muitos jovens da própria geração consumiam cultura pop em velocidade industrial, ela parecia interessada em desmontá-la peça por peça, como alguém que abre um relógio para descobrir o mecanismo do tempo.

Busco observar a vida e dela entender as motivações por trás. A arte induz esse processo, é mágico”, diz.

A frase poderia soar ensaiada se não fosse coerente com tudo o que veio antes dela. Porque Maria Liz não fala sobre arte como quem comenta entretenimento. Ela fala como quem procura respostas.

E talvez seja exatamente isso que a aproxime tanto da geração Z, uma geração frequentemente retratada como ansiosa, hiperconectada e fragmentada, mas que também desenvolveu uma habilidade rara: transformar sensações coletivas em linguagem estética.

Os memes, os discos, os vídeos curtos e verticais, os filmes revisitados, os surtos compartilhados nas redes sociais. Tudo vira sintoma de alguma coisa maior.

Maria percebe isso.

E escreve a partir disso.

Maria Liz, câmera e ação

O cinema apareceu em sua vida não como fuga, mas como ferramenta de leitura. Estudante de Comunicação Social com habilitação em Audiovisual, ela passou a enxergar filmes como extensões emocionais de fenômenos sociais.

Em vez de apenas consumir cultura, começou a analisá-la como espelho do comportamento humano. A trilha sonora de um filme, a estética de um álbum, a obsessão coletiva por determinada série ou artista. Nada parecia superficial demais para escapar de sua atenção.

Foi dessa inquietação que nasceu, em 2024, o perfil digital “euexistow”, espaço criado no Instagram para experimentar uma escrita mais íntima, menos presa aos formatos tradicionais e mais próxima das sensações que atravessam a juventude contemporânea. Ali, Maria Liz passou a publicar reflexões sobre música, tecnologia, cinema e comportamento, enquanto misturava opiniões, poesias e observações pessoais sobre o cotidiano.

Não demorou para que o ambiente jornalístico também moldasse sua escrita.

Durante quase dois anos, ela integrou o Grupo Dial Natal atuando nos bastidores da produção audiovisual. Editava vídeos, participava de gravações, desenvolvia peças de design e acompanhava o ritmo intenso da redação. Funções operacionais, à primeira vista, mas quem já viveu uma redação sabe que não existe espectador naquele ambiente. Todos acabam contaminados pela urgência dos fatos.

A notícia em si é intrigante. Precisamos estar atentos para além dos acontecimentos, buscar entender cada fenômeno”, afirma.

Há algo de tipicamente contemporâneo em Maria Liz. Não apenas pela idade ou pelas referências culturais que carrega, mas pela forma como mistura linguagens sem pedir licença. Ela escreve como quem pensa em imagens. Analisa música como quem investiga comportamento. Fala sobre cinema como quem comenta política. E talvez por isso sua chegada ao Portal 98 aconteça de forma tão natural.

A partir de agora, Maria Liz passa a assinar semanalmente a coluna “Retrato Z”, um espaço dedicado a artigos imersivos sobre cultura pop, subjetividade humana, música, literatura, comportamento e os fenômenos que atravessam a juventude contemporânea. Mais do que comentar tendências, a proposta da coluna é observar os sinais de uma geração que transformou a internet em extensão da própria identidade.

Retrato Z: o nome não é aleatório

“Retrato Z” nasce justamente da tentativa de fotografar um tempo em movimento. Uma geração que consome informação em segundos, mas que também vive crises profundas de pertencimento, ansiedade e identidade. Uma geração que debate saúde mental no TikTok, revive discos antigos como manifesto emocional e transforma filmes em códigos coletivos de interpretação do mundo.

Maria Liz se propõe a escrever sobre tudo isso.

E talvez sobre aquilo que ainda não sabemos nomear.

Porque alguns cronistas observam acontecimentos. Outros observam pessoas. Maria parece interessada no intervalo entre os dois — aquele espaço invisível onde cultura, comportamento e emoção se encontram antes de virar tendência, manchete ou memória coletiva.

No fim das contas, “Retrato Z” não será apenas uma coluna sobre jovens.

Será sobre o tempo.

E sobre o que ele está fazendo com todos nós.