Ministério da Saúde aponta que 41% dos caminhoneiros não receberam atendimento entre 2022 e 2025

Foto: Walterson Rosa/MS

Um boletim epidemiológico do Ministério da Saúde aponta que 41% dos caminhoneiros cadastrados na Atenção Primária à Saúde (APS) não receberam atendimento entre 2022 e 2025. O dado reforça os desafios de garantir o acompanhamento regular de saúde dessa categoria, que enfrenta longas jornadas de trabalho, deslocamentos constantes e dificuldade de acesso aos serviços. O levantamento foi apresentado nessa segunda-feira (22) durante o Seminário Agora Tem Especialistas – Caminhoneira e Caminhoneiro.

Segundo o Ministério da Saúde, a estratégia busca justamente ampliar o número de atendimentos, levando o cuidado até os locais onde esses profissionais fazem parada. O programa Agora Tem Especialistas – Caminhoneira e Caminhoneiro utiliza unidades móveis instaladas em Pontos de Parada e Descanso (PPDs), com oferta de serviços gratuitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Nas unidades, os caminhoneiros podem realizar consultas médicas e de enfermagem, aferição de pressão arterial, vacinação, testes rápidos, exames laboratoriais com resultado imediato, eletrocardiograma, pequenos procedimentos e receber orientações de saúde.

Em pouco mais de quatro meses de funcionamento, as unidades móveis já somaram 6.169 atendimentos, além de 8.889 procedimentos realizados, 7.087 testes rápidos, 2.617 exames e 933 doses de vacinas aplicadas.

De acordo com o boletim, entre os atendimentos registrados na Atenção Primária entre 2022 e 2025, as condições mais frequentes foram hipertensão arterial (74.414 registros), diabetes (35.292) e problemas relacionados à saúde mental (21.167). A maior parte dos atendimentos ocorreu entre caminhoneiros de 50 a 59 anos, seguida pela faixa de 40 a 49 anos.

O Ministério da Saúde destaca que fatores como longas horas ao volante, alimentação irregular, pouco descanso e acesso limitado a serviços de saúde aumentam os riscos de adoecimento e exigem estratégias específicas de cuidado para a categoria.

O atendimento nas unidades móveis é gratuito, não exige agendamento e pode ser feito diretamente nos pontos de parada. Quando necessário, os usuários também podem ser encaminhados para outros serviços da rede pública ou receber acompanhamento remoto.

As unidades estão em funcionamento em cidades como Pindamonhangaba (SP), Uruaçu (GO), Ubaporanga (MG), Itatiaia (RJ), Novo Progresso (PA), Seropédica (RJ), Palhoça (SC) e Irati (PR), em locais estratégicos ao longo das rodovias.