Os advogados de Fabio Luis Lula da Silva, conhecido como Lulinha, avaliam apresentar um pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para interromper a investigação conduzida pela Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura supostas irregularidades relacionadas a descontos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As informações são do Estadão.
De acordo com as coluna de Roseann Kennedy, a estratégia da defesa é argumentar que não existem elementos suficientes para justificar a continuidade do inquérito. Antes de formalizar o pedido à Corte, os advogados Marco Aurélio Carvalho e Guilherme Suguimori pretendem se reunir, nos próximos dias, com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos.
A movimentação ocorre após a PF informar ao STF que a conclusão das análises envolvendo dados obtidos a partir das quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático autorizadas pela Justiça poderá se estender para além do calendário eleitoral deste ano. Segundo informações encaminhadas ao Supremo, a corporação tem priorizado investigações envolvendo pessoas presas ou submetidas a medidas cautelares.
Nos bastidores políticos, aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstram preocupação com a possibilidade de a investigação permanecer em andamento durante o período eleitoral. A avaliação é de que a manutenção do caso aberto pode alimentar questionamentos políticos e fortalecer discursos da oposição.
Os advogados de Lulinha, no entanto, negam qualquer tentativa de obter tratamento prioritário ou interferir na ordem de tramitação dos processos. De acordo com a defesa, o objetivo é demonstrar que não há fundamentos jurídicos suficientes para a continuidade da apuração.
Em manifestação pública, o advogado Marco Aurélio Carvalho afirmou que seu cliente permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e reiterou que não existe qualquer participação direta ou indireta de Lulinha nos fatos investigados.
Fabio Luis Lula da Silva é investigado na Operação Sem Desconto, que apura possíveis fraudes envolvendo descontos aplicados a aposentadorias e pensões. No decorrer das investigações, a Polícia Federal obteve autorização do ministro André Mendonça, relator do caso no STF, para a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático do empresário.
A investigação busca esclarecer possíveis relações comerciais entre Lulinha e empresários investigados no esquema, hipótese que é rejeitada pela defesa. O caso segue sob análise do Supremo Tribunal Federal e da Polícia Federal.