Uma empresa subcontratada em um projeto da Prefeitura de São Paulo é citada em uma investigação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) que apura suspeita de desvios de recursos públicos e possível ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), segundo autoridades envolvidas no caso. As informações são do Metrópoles.
De acordo com os promotores, o sócio da Favela Conectada, empresa que prestou serviços dentro do contrato, seria vinculado à facção criminosa. Ele teria passado a integrar o crime organizado durante período em que esteve preso em unidades prisionais dominadas pelo grupo, entre elas a Penitenciária 2 de Presidente Venceslau.
A Favela Conectada foi contratada pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização responsável por um projeto de instalação de pontos de Wi-Fi em áreas periféricas da capital paulista. O contrato do ICB com a Prefeitura de São Paulo é estimado em R$ 108 milhões.
Segundo a investigação, cerca de R$ 12 milhões teriam sido repassados à empresa para execução dos serviços de conectividade. A Polícia Civil apura se parte dos recursos pode ter sido desviada.
O caso também envolve apurações paralelas sobre suposto uso indevido de verbas públicas e pagamentos considerados incompatíveis com a execução dos serviços. A investigação cita ainda diferenças entre valores pagos e parâmetros de mercado para manutenção dos pontos de internet.
O sócio da Favela Conectada tem condenações anteriores por crimes como roubo e já cumpriu pena em regime fechado por mais de uma década, segundo registros judiciais. Ele também é investigado em outro caso criminal relacionado à morte de uma mulher em São Paulo, ocorrido em 2024.
Em uma das linhas de investigação, a polícia analisa possíveis conexões entre empresas envolvidas no contrato e a produção do filme “Dark Horse”, citado em apurações como parte de um conjunto de relações comerciais da mesma rede de empresas.
A Prefeitura de São Paulo informou, em nota, que os valores praticados no contrato foram baseados em estimativas de mercado e que os custos são inferiores a propostas recebidas anteriormente.
O Instituto Conhecer Brasil e a empresa Favela Conectada ainda não apresentaram posicionamento detalhado sobre as suspeitas investigadas. A produção do filme “Dark Horse” também é citada no inquérito por sua relação societária com uma das empresas envolvidas no contrato.