PT cobra explicações de Flávio Bolsonaro sobre Vorcaro e silencia sobre Jaques Wagner

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O Diretório Nacional do PT aprovou, nesta sexta-feira (3), uma resolução política em que cobra explicações do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, sobre sua relação com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O documento, no entanto, não faz menção às investigações envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo no Senado.

A estratégia foi debatida durante reunião da cúpula petista em Brasília e integra o planejamento da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição. Nos bastidores, dirigentes avaliam que a crise envolvendo Flávio Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro já provoca desgaste político, mas o partido pretende concentrar os ataques na relação do senador com Vorcaro.

Na resolução, o PT afirma que as operações envolvendo Flávio Bolsonaro e o banqueiro são um exemplo da aproximação entre interesses privados, poder político e setores do sistema financeiro durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. O texto também afirma que o senador ainda não esclareceu a origem e a destinação dos recursos solicitados ao empresário.

O documento faz referência às investigações abertas após reportagens apontarem que Flávio Bolsonaro pediu recursos a Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro. Conforme divulgado, o empresário teria se comprometido a investir US$ 24 milhões no projeto. O caso passou a ser investigado pela Polícia Federal.

Apesar das críticas ao senador do PL, a resolução não cita Jaques Wagner, que também foi alvo de investigação da Polícia Federal na Operação Compliance Zero. O parlamentar é investigado por suposto recebimento de vantagens indevidas envolvendo pessoas ligadas ao Banco Master. Wagner nega irregularidades e afirma que os valores encontrados em sua posse têm origem legal.

Além do tema financeiro, o documento dedica espaço às críticas ao grupo político adversário em relação à participação das mulheres na política. Sem citar diretamente Michelle Bolsonaro, o PT afirma que recentes declarações de aliados da direita refletem uma visão excludente e autoritária sobre o papel feminino na sociedade.

Outro ponto de destaque é a defesa da soberania nacional, tema citado diversas vezes na resolução. O partido critica a atuação internacional de Flávio e Eduardo Bolsonaro, afirmando que ambos defendem posições contrárias aos interesses brasileiros. Segundo o PT, esse discurso deverá ser um dos eixos centrais da campanha de Lula nas eleições deste ano.

Com informações do Estadão