Uma checagem publicada pelo Estadão Verifica esclarece que é enganosa a informação de que o Tribunal de Contas da União (TCU) teria identificado pagamentos do Bolsa Família exclusivamente a pessoas mortas durante o atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o levantamento, as irregularidades ocorreram entre 2016 e fevereiro de 2025, abrangendo as gestões de Dilma Rousseff, Michel Temer, Jair Bolsonaro e Lula, e não se restringem ao programa social.
De acordo com a auditoria do TCU, cerca de 275,8 mil pessoas falecidas receberam pagamentos indevidos nesse período, incluindo benefícios previdenciários, trabalhistas, folhas de pagamento de servidores públicos e o Bolsa Família. O prejuízo estimado é de R$ 4,4 bilhões. O tribunal atribuiu o problema a falhas estruturais no Sistema Nacional de Informações de Registro Civil (Sirc), responsável por reunir dados de nascimentos, casamentos e óbitos enviados pelos cartórios.
A auditoria apontou problemas como subnotificação de óbitos, atrasos no envio de informações pelos cartórios e registros com dados incompletos, dificultando a identificação de pessoas falecidas. O TCU determinou medidas para corrigir as falhas, entre elas a aplicação de sanções a cartórios que descumprirem os prazos de envio das informações. Em nota citada pelo Estadão Verifica, o INSS informou que atualmente realiza cruzamentos diários de dados com o Sirc, a Receita Federal e o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) para prevenir fraudes e suspender preventivamente benefícios quando são identificadas inconsistências.