A Polícia Federal apura se recursos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro foram utilizados para custear despesas do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro durante sua permanência nos Estados Unidos. A investigação tenta esclarecer se os valores tiveram como destino oficial a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro ou se a justificativa audiovisual teria servido apenas para encobrir a transferência de dinheiro. As informações são do blog da jornalista Andreia Sadi, do g1.
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Segundo a apuração, a PF trabalha com três hipóteses principais: se os recursos foram efetivamente aplicados no projeto cinematográfico, se houve desvio de finalidade ou se parte do montante foi usada para financiar a estadia de Eduardo Bolsonaro em território americano.
Nos bastidores da investigação, também surgiram questionamentos sobre a participação do senador Flávio Bolsonaro nas negociações envolvendo os repasses e sobre a destinação final dos recursos. O parlamentar é apontado como pré-candidato à Presidência da República.
As suspeitas ganharam força após reportagem publicada pelo site Intercept Brasil revelar mensagens trocadas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Nas conversas, o senador cobraria valores prometidos para financiar o filme “Dark Horse”, produção internacional baseada na trajetória política de Jair Bolsonaro e com estreia prevista no Brasil para setembro.
De acordo com dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a empresa Entre Investimentos teria atuado como intermediária em repasses relacionados a Vorcaro e destinados ao longa-metragem. A companhia recebeu R$ 159 milhões de fundos investigados pela PF e associados ao banqueiro.
O acordo total para o financiamento do filme previa R$ 124 milhões, sendo que R$ 61 milhões já teriam sido pagos pelo dono do Banco Master. Até o momento, porém, não há confirmação sobre quanto desse valor foi efetivamente direcionado à produção audiovisual ou à empresa responsável pelo projeto.
O deputado federal Mário Frias, produtor executivo do filme, e a produtora GOUP Entertainment afirmaram, em notas divulgadas nesta semana, que a cinebiografia não recebeu recursos de Daniel Vorcaro.
A suspeita de que recursos do Banco Master possam ter sido utilizados para bancar Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos também foi citada pelo deputado Lindbergh Farias em vídeo publicado nesta quinta-feira (14) nas redes sociais. Segundo ele, US$ 2 milhões ligados a Vorcaro teriam sido enviados para um fundo sediado no Texas que teria como sócio o advogado de Eduardo Bolsonaro.
“O filme era um código quando Flávio Bolsonaro falava com ele [Daniel Vorcaro]. O verdadeiro filme era livrar a cara de Jair Bolsonaro fazendo uma campanha contra o Brasil”, afirmou Lindbergh.
Eduardo Bolsonaro ainda não se pronunciou sobre o caso.