Edson Faustino
Advogado
Em 1976, um convite à cidade de Areia, na Paraíba, tornou-se o prelúdio de um dos mais belos capítulos culturais do Rio Grande do Norte. O então Secretário de Educação e Cultura, professor João Faustino Ferreira Neto, ao assistir à apresentação da recém-criada orquestra paraibana, a convite do Secretário Tarcísio Buriti, não apenas se encantou — foi tomado por uma visão.
Naquela noite, nasceu um sonho: criar uma orquestra sinfônica para o povo potiguar. Movido por sua sensibilidade e espírito público, João Faustino rapidamente levou a ideia ao governador Tarcísio Maia, que a acolheu com entusiasmo. As limitações financeiras, contudo, impuseram obstáculos inesperados. Foi então que se destacou uma de suas maiores virtudes: a capacidade de construir caminhos.
Com trânsito qualificado em Brasília, fruto de sua sólida trajetória na educação, João Faustino articulou apoio institucional e garantiu os recursos necessários para viabilizar o projeto. Sua atuação não foi apenas administrativa, mas profundamente visionária.
A formação da orquestra exigiu cuidado e dedicação. Instrumentos foram adquiridos, músicos recrutados e a regência confiada ao maestro Mário Câncio, cuja competência foi essencial para consolidar o grupo. A maioria dos talentos era nordestina, inclusive de Areia, num simbólico retorno à origem do sonho.
Em março de 1976, o Decreto nº 6.874 oficializou a criação da Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte. A estreia marcou o início de uma trajetória pautada pela excelência e pela democratização da cultura, com concertos no Teatro Alberto Maranhão e apresentações didáticas nas escolas públicas.
Cinco décadas depois, a orquestra se firma como patrimônio imaterial do Estado, símbolo de resistência cultural e formação artística. Celebrar seu jubileu de ouro é reconhecer não apenas sua história, mas a força de uma ideia transformadora.
A Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte é, acima de tudo, o legado vivo de João Faustino. Sua grandeza não reside apenas na criação de uma instituição, mas na capacidade de sonhar e realizar em favor do coletivo.
Seu nome permanece ecoando em cada concerto, em cada aplauso, em cada jovem músico inspirado por esse projeto. João Faustino não apenas idealizou uma orquestra — ele compôs, com coragem e sensibilidade, uma das mais melodiosas trilhas da cultura potiguar.