UFRN investiga bactéria encontrada em detergentes Ypê

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Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) têm analisado a bactéria Pseudomonas aeruginosa, microrganismo presente em ambientes úmidos e associado a riscos à saúde humana, que recentemente voltou ao centro de debates após a identificação em produtos de limpeza e a suspensão de itens por autoridades sanitárias.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, no início de maio, a suspensão da fabricação, comercialização e distribuição de produtos de uma marca de detergentes, sabões líquidos e desinfetantes, após apontar falhas nas boas práticas de produção e a detecção da bactéria em alguns lotes. O microrganismo é considerado resistente a diversos antibióticos e desinfetantes, o que amplia sua preocupação em ambientes domésticos e hospitalares.

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De acordo com pesquisadores da UFRN, a Pseudomonas aeruginosa é amplamente encontrada na natureza, especialmente em locais com presença de água, como torneiras, piscinas e sistemas de abastecimento. Apesar disso, pode representar risco em determinadas condições, sobretudo para pessoas com imunidade comprometida, mas também em indivíduos saudáveis.

O professor Rafael Wesley Bastos, do Programa de Pós-Graduação em Biologia Parasitária da UFRN e integrante do Grupo de Estudo e Ações em Saúde Única (Geasu-RN), explica que a bactéria apresenta mecanismos de resistência que dificultam sua eliminação. Segundo ele, o microrganismo pode sobreviver a diferentes agentes químicos, incluindo alguns tipos de desinfetantes.

Além disso, estudos conduzidos pelo pesquisador apontam que a bactéria também pode atuar no ambiente microbiológico de forma complexa, inclusive interagindo com outros microrganismos, como o Candida auris, fungo multirresistente listado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como patógeno prioritário.

Os riscos associados à Pseudomonas aeruginosa variam conforme o estado de saúde do indivíduo. Em pessoas imunossuprimidas, pode provocar infecções mais graves, enquanto em outros casos pode causar problemas como infecções de pele, olhos, ouvido e trato urinário. Em situações mais severas, há possibilidade de evolução para quadros sistêmicos.

A bactéria também chama atenção pela capacidade de formação de biofilmes, estruturas que favorecem sua permanência em superfícies e equipamentos, dificultando processos de higienização e desinfecção.

Diante da suspensão dos produtos, autoridades sanitárias orientam que consumidores interrompam o uso imediato e busquem os canais oficiais das empresas para devolução ou ressarcimento. O descarte inadequado é desaconselhado, já que pode contribuir para a disseminação do microrganismo no meio ambiente.