Copa do Mundo Feminina 2027 deve movimentar quase R$ 9 bilhões na economia brasileira, aponta estudo

Foto: Divulgação

A Copa do Mundo Feminina Fifa 2027 deve gerar um impacto de aproximadamente R$ 8,8 bilhões na economia brasileira, segundo estudo elaborado pela FGV Projetos a pedido da Embratur. O levantamento considera os efeitos econômicos durante as fases de preparação e realização do torneio no país.

Os dados foram apresentados pelo diretor de Gestão e Inovação da Embratur, Roberto Gevaerd, durante o Confut, evento internacional de negócios, networking e inovação no esporte realizado em Nova York.

De acordo com o estudo, a competição deve acrescentar R$ 3,8 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, além de gerar cerca de 73,7 mil empregos diretos e indiretos, distribuir R$ 4,5 bilhões em rendimentos e proporcionar uma arrecadação tributária estimada em R$ 928 milhões.

Segundo o professor da FGV e coordenador do estudo, Luiz Gustavo Barbosa, a realização do torneio também fortalece a imagem internacional do Brasil como destino para grandes eventos. O país terá sediado, em menos de 15 anos, três dos maiores eventos esportivos do mundo: a Copa do Mundo de 2014, os Jogos Olímpicos de 2016 e a Copa do Mundo Feminina de 2027.

Leia também: Jovens de baixa renda, estudantes e idosos terão direito a meia-entrada na Copa do Mundo Feminina de 2027

Impactos na economia

O impacto financeiro previsto está dividido em dois principais eixos. O primeiro considera o consumo dos torcedores e turistas durante a competição, com estimativa de R$ 4,7 bilhões movimentados.

A projeção leva em conta a circulação de cerca de 2 milhões de pessoas durante o mês do torneio, incluindo moradores e visitantes. Esse fluxo deve contribuir para a criação de 45,7 mil empregos, gerar R$ 2,4 bilhões em renda e arrecadar R$ 516 milhões em impostos.

O segundo eixo está relacionado à organização do evento, com impacto estimado em R$ 4,1 bilhões. A análise considera o orçamento global da competição, definido pela Fifa em US$ 800 milhões. Parte desse valor será destinada a premiações internacionais, enquanto os recursos aplicados no Brasil devem movimentar setores como logística, transmissão, segurança e saúde, com geração de aproximadamente 28 mil postos de trabalho.

A projeção foi feita com base na Matriz de Insumo-Produto (MIP), metodologia utilizada para calcular impactos diretos, indiretos e induzidos na economia.

Turismo e consumo feminino

O estudo também analisou o perfil dos turistas internacionais que visitam o Brasil. Dados da pesquisa VISA-Embratur (2025) apontam que 48,61% dos visitantes estrangeiros são mulheres, com permanência média de 11 dias e gasto médio de US$ 1.317 por viagem.

Entre os principais gastos estão atividades de sol e praia (67,7%), compras (52,1%), gastronomia (35,6%) e atrações culturais (34,9%). Segundo a pesquisa, esse comportamento amplia os impactos econômicos para pequenos e médios negócios.

Dados da pesquisa Nexus/CBF (2024) indicam ainda que 72% das pessoas que nunca frequentaram estádios de futebol no Brasil são mulheres. Ao mesmo tempo, 73% da população avalia positivamente a Seleção Brasileira Feminina.

A expectativa é que a Copa do Mundo Feminina de 2027 estimule a participação do público feminino no futebol e amplie o consumo esportivo em diferentes regiões do país.