Um levantamento realizado a partir de dados enviados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado identificou inconsistências cadastrais e possíveis indícios de empresas de fachada entre algumas das companhias que mais receberam pagamentos do Banco Master por serviços prestados entre 2022 e 2025.
Segundo a apuração divulgado pelo jornal Folha de S.Paulo, as dez empresas que mais receberam recursos do banco somaram aproximadamente R$ 1,2 bilhão em transferências classificadas como prestação de serviços. Desse grupo, quatro apresentariam sinais de irregularidades cadastrais ou informações consideradas incompatíveis pelos investigadores.
Entre elas estão a Midias Promotora, a Telure Participações, a Metanoein Participações e Consultoria e a Nanook Participações.
Empresas ligadas a investigados
O levantamento também aponta que outras cinco empresas que figuram entre as maiores recebedoras de recursos possuem ligação direta com ex-sócios ou integrantes da cúpula do Banco Master.
A Ouro Negro Empreendimentos e Participações, que lidera o ranking com quase R$ 220 milhões recebidos, tem como diretor David Lopes Monteiro, irmão de Daniel Lopes Monteiro, investigado na Operação Compliance Zero.
Já a Terra Firme da Bahia, segunda colocada na lista, pertence ao empresário Augusto Lima, ex-sócio do banco e também alvo das investigações relacionadas ao caso.
Além delas, aparecem entre as maiores beneficiárias a MSG Serviços Empresariais e a MDSV Participações, ambas associadas a ex-sócios da instituição financeira.
Cadastros com inconsistências
Entre os pontos destacados pela reportagem estão telefones genéricos, endereços considerados incompatíveis com o porte das empresas, e-mails compartilhados e vínculos com pessoas que receberam auxílio emergencial durante a pandemia.
No caso da Telure e da Nanook, por exemplo, os cadastros apresentam o mesmo telefone e endereço eletrônico, apesar de possuírem sedes registradas em estados diferentes.
A Midias Promotora, por sua vez, teve um de seus administradores citado como beneficiário do auxílio emergencial e já foi alvo de busca e apreensão em investigação relacionada a investimentos do fundo previdenciário do Estado do Rio de Janeiro.
Escritório ligado à família de Moraes
A única empresa da lista que não se enquadra nos dois grupos identificados pelo levantamento é o escritório Barci de Moraes, ligado à esposa do ministro Alexandre de Moraes.
Segundo nota enviada à reportagem da Folha, o escritório afirmou que prestou serviços jurídicos e de consultoria ao banco, incluindo pareceres, reuniões técnicas, elaboração de manuais internos, implementação de código de ética e atuação em processos administrativos e judiciais.
Investigações
As empresas citadas apresentaram diferentes posicionamentos ou não responderam aos contatos da reportagem. O Banco Master informou anteriormente que não comentaria o assunto.
As investigações sobre movimentações financeiras envolvendo a instituição seguem em andamento e integram apurações conduzidas pela Polícia Federal, pela Procuradoria-Geral da República e pela CPI do Crime Organizado.