O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa informou ao Democracia Cristã (DC) que não pretende disputar a Presidência da República nas eleições deste ano.
A informação foi divulgada inicialmente pela Folha de S.Paulo e confirmada pelo Valor Econômico. De acordo com pessoas próximas ao ex-ministro, a decisão foi motivada pelo fato de que as condições consideradas essenciais por ele para manter a candidatura não foram atendidas. A direção do DC, por sua vez, afirma que não recebeu uma comunicação oficial sobre a desistência e diz que continuará tentando convencer Barbosa a permanecer na disputa.
A pré-candidatura foi lançada pelo partido em maio. Na época, Barbosa afirmou que só aceitaria concorrer caso houvesse boa receptividade do eleitorado e uma estrutura partidária capaz de sustentar uma campanha nacional.
Aposentado do STF desde 2014, Barbosa voltou a usar as redes sociais após o anúncio de sua possível candidatura. Em uma publicação feita no Instagram, em 16 de junho, disse que estava “estudando a possibilidade” de disputar o Palácio do Planalto e que passaria a utilizar as plataformas com mais frequência para dialogar com o público.
Nas pesquisas mais recentes de intenção de voto, o ex-ministro apareceu com 1% das preferências, resultado registrado tanto pelo instituto Quaest quanto pelo Datafolha.
O presidente do DC, João Caldas, afirmou que Barbosa nunca comunicou oficialmente a desistência. Segundo ele, desde a filiação ao partido, o ex-ministro deixava claro que sua candidatura dependia da formação de uma coligação e da existência de uma estrutura mínima, incluindo apoio logístico.
Caldas disse que continuará trabalhando para viabilizar a candidatura até o prazo final das convenções partidárias, em 5 de agosto. Segundo ele, ainda há negociações para formar alianças com outras legendas, embora não tenha informado quais partidos participam das conversas.
A entrada de Joaquim Barbosa no DC provocou disputas internas. O ex-ministro e ex-deputado Aldo Rebelo, que era o pré-candidato da legenda à Presidência, discordou da decisão da direção do partido, manteve sua intenção de disputar a eleição e fez críticas públicas à condução da sigla. Em meio ao conflito, Rebelo chegou a ser expulso do partido, mas retornou após obter uma decisão favorável na Justiça.
Pessoas ligadas à pré-campanha de Aldo Rebelo afirmam que, caso a saída de Joaquim Barbosa seja confirmada, existe a possibilidade de sua pré-candidatura voltar a ser considerada pelo partido.
Com informações do Poder Econômico