Lula e Alcolumbre sinalizam reaproximação após tensão entre Planalto e Senado

Nos últimos dias, a retomada do diálogo ficou evidente com a participação conjunta em eventos públicos e com o avanço de pautas consideradas prioritárias pelo governo no Senado. Foto: Cristiano Mariz

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, passaram a demonstrar sinais de reaproximação política após meses de tensão entre o Palácio do Planalto e o Congresso.

Nos últimos dias, a retomada do diálogo ficou evidente com a participação conjunta em eventos públicos e com o avanço de pautas consideradas prioritárias pelo governo no Senado. Além disso, interlocutores articulam um jantar entre Lula, Alcolumbre e senadores antes da votação de indicações importantes.

Indicações e votações destravam relação

Um dos principais pontos de atrito envolvia a indicação do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal. Agora, a sabatina está prevista para o próximo dia 28, sinalizando avanço nas negociações.

Outro gesto interpretado como positivo foi a aprovação rápida do nome do deputado Odair Cunha para o Tribunal de Contas da União, realizada um dia após o aval da Câmara.

Interesses políticos e articulação conjunta

A reaproximação também envolve interesses eleitorais. Alcolumbre atua para fortalecer a candidatura de Clécio Luís à reeleição no Amapá, com apoio do governo federal. Nesse cenário, o senador Randolfe Rodrigues deve integrar a chapa aliada.

Além disso, a presença de Alcolumbre na posse do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, marcou um momento simbólico da reaproximação. Na ocasião, o presidente do Senado destacou a importância do diálogo entre os Poderes.

De tensão a distensão gradual

O atual cenário contrasta com episódios recentes de distanciamento. Alcolumbre, por exemplo, não participou de cerimônias importantes do governo, como a sanção da ampliação da isenção do Imposto de Renda e do novo ECA Digital.

A crise começou a diminuir gradualmente após reuniões entre Lula e o senador no fim de 2025 e no início deste ano. Ainda assim, a indicação de Jorge Messias ao STF havia gerado resistência de Alcolumbre, que defendia o nome de Rodrigo Pacheco para a vaga.

Mais recentemente, governo e Senado também atuaram juntos para esvaziar investigações no Congresso, como a CPI do INSS e a CPI do Crime Organizado, em movimentos que reforçam a retomada da articulação política entre as partes.

Com informações do Globo