A Marinha do Brasil (MB) atendeu três pescadores vítimas de acidentes durante um mergulho com compressor no Rio Grande do Norte.
O tratamento foi realizado entre os dias 1º e 3 de maio, na câmara hiperbárica do Comando do 3º Distrito Naval (Com3ºDN). As vítimas foram atendidas por um grupo de mergulhadores, acionados pelo Hospital Naval de Natal.
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Os três pescadores foram atendidos por uma equipe especializada, composta por um médico e um enfermeiro e mergulhadores, e apresentaram melhoras em seus estados clínicos. Após receberem o tratamento na câmara hiperbárica e verificada a extinção dos sintomas, os pacientes foram encaminhados a hospitais da cidade, a fim de permanecerem em observação.
Risco
O mergulho com compressor é muito comum na pesca da lagosta. Apesar de ser de baixo custo, é muito arriscado, por ser em maior profundidade, imitando os mergulhadores profissionais.
Sem equipamento adequado para mergulho, o pescador acopla um compressor de ar ao motor do barco; o ar é levado até a outra extremidade por uma mangueira, onde há uma válvula e uma boquilha, permitindo que o pescador respire pela boca. Essa prática de mergulho é ilegal e coloca o praticante em risco de vida.
Após o período de defeso da lagosta, pescadores que utilizam dispositivos de pesca ilegal, como utilização de compressores de ar, acabam por colocar a própria vida em risco, por vezes tendo que recorrer aos tratamentos na câmara.
Essas intervenções são iniciadas por meio de solicitação do HNNa e do Hospital Naval de Recife (HNRe), em apoio às comunidades pesqueiras dos estados do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Ceará”, declarou o Comandante do ComGptPatNavNE, Capitão de Mar e Guerra Hagler Medeiros Julianelli.
Sobre o equipamento
O tratamento com a câmara hiperbárica expõe o paciente em seu interior a uma pressão 2 a 3 vezes maior que a pressão atmosférica ao nível do mar ao mesmo tempo que injeta oxigênio 100% puro em seus pulmões. Esse processo aumenta em até 20 vezes a capacidade do sangue de transportar oxigênio, promovendo cicatrização rápida, combatendo infecções e reduzindo bolhas de gás no sangue.
A câmara hiperbárica do ComGptPatNavNE é o único equipamento deste tipo no Nordeste totalmente certificado, atendendo gratuitamente pacientes que foram acometidos por doenças descompressivas, em sua grande maioria pescadores que realizam mergulho com equipamentos adaptados e compressores caseiros para a pesca da lagosta.
Comissionada em 1988, a câmara hiperbárica é a única câmara pública em funcionamento no estado do Rio Grande do Norte e, segundo a Marinha, é considerada estratégica por contribuir não só para proporcionar a salvaguarda da vida humana no mar, mas para cumprir outros propósitos relevantes, como:
- missões de busca e salvamento (SAR)
- apoio às operações de mergulho
- tratamentos de saúde de militares e integrantes da Família Naval
- e atendimentos de emergências médicas da comunidade marítima