A Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap) divulgou uma nota técnica com orientações sobre a intoxicação por ciguatera, doença relacionada ao consumo de peixes contaminados, comum em áreas de recifes e corais. O alerta ocorre no período do verão e com a proximidade do Carnaval, quando aumenta o consumo de pescado no litoral potiguar.
A ciguatera é causada por uma neurotoxina produzida por microalgas invisíveis a olho nu. Peixes pequenos ingerem essas algas e transmitem a toxina aos peixes maiores. Quando consumidos pelo ser humano, esses peixes podem provocar a intoxicação.
As ciguatoxinas não têm cor, cheiro ou gosto e não são eliminadas por cozimento, congelamento ou salga. A toxina permanece ativa mesmo após o preparo do alimento, sendo mais concentrada na cabeça, vísceras e ovas dos peixes.
Os sintomas costumam surgir entre 30 minutos e 24 horas após o consumo e incluem náuseas, vômitos, diarreia, dores abdominais, dores de cabeça, coceira, fraqueza muscular, visão turva e gosto metálico na boca. Em alguns casos, os efeitos podem durar semanas ou meses.
Não há tratamento específico para a ciguatera. O atendimento é feito com medidas de suporte, como hidratação e controle dos sintomas, além de acompanhamento médico.
A Sesap orienta que, ao apresentar sintomas após consumir peixe, a população procure imediatamente um serviço de saúde e informe o consumo nas últimas 48 horas. Também é recomendado identificar a espécie consumida e evitar pescados de procedência desconhecida.
Em caso de dúvidas, o Centro de Informação e Assistência Toxicológica do RN (CIATOX-RN) funciona em plantão 24 horas pelos telefones 0800 281 7005 e WhatsApp (84) 98883-9155.
No Rio Grande do Norte, desde 2022 já foram notificados 77 casos de intoxicação por ciguatera, envolvendo espécies como bicuda, cioba, guarajuba, arabaiana e dourado, o que confirma a circulação da toxina no estado.