Valdemar e Damares tentam conter crise entre Michelle e Flávio Bolsonaro no PL

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A crise envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, tem levado integrantes do PL a buscar uma solução conciliadora. O presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) defendem cautela e trabalham para reduzir o desgaste entre os dois.

A tensão aumentou após críticas públicas feitas por Michelle ao enteado. Com Jair Bolsonaro (PL) preso, integrantes do partido avaliam que a ex-primeira-dama se tornou uma peça importante para a estratégia eleitoral da legenda e que o momento exige cuidado para preservar a unidade interna.

Além disso, o PL considera a participação de Michelle fundamental para o projeto de ampliar sua bancada na Câmara dos Deputados nas próximas eleições, o que poderia aumentar o acesso da sigla aos recursos dos fundos partidário e eleitoral.

Aliados da ex-primeira-dama afirmam que o partido e a campanha de Flávio precisam reconhecer o trabalho desenvolvido por ela no comando do PL Mulher e garantir espaço para que ela participe da formação das chapas estaduais.

Durante sua atuação à frente do PL Mulher, Michelle participou da filiação de mulheres, ajudou a impulsionar candidaturas nas eleições municipais de 2024 e estruturou diretórios da ala feminina do partido nos 27 estados. Segundo pessoas próximas, porém, ela estaria insatisfeita com a condução de algumas candidaturas para as próximas eleições.

Um dos principais pontos de atrito envolve a vereadora de Fortaleza Priscila Costa (PL). Michelle defende que ela dispute uma vaga ao Senado pelo Ceará, mas o presidente estadual do partido, deputado federal André Fernandes, afirma que a candidatura deve ficar com o pai dele, Alcides Fernandes (PL).

Em vídeos publicados recentemente, Michelle argumentou que, considerando a reserva de recursos do fundo eleitoral destinada às candidaturas femininas, o PL Mulher teria condições de indicar mais nomes para as vagas ao Senado em disputa. Segundo ela, atualmente o grupo enfrenta dificuldades para manter as candidaturas femininas.

A crise ganhou repercussão enquanto Valdemar estava nos Estados Unidos acompanhando a Copa do Mundo. Após as manifestações de Michelle, ele antecipou o retorno ao Brasil e afirmou que pretendia conversar pessoalmente com os dois antes de tomar qualquer decisão.

Questionado sobre o conflito, Valdemar pediu calma e divulgou uma nota defendendo que divergências fazem parte de ambientes democráticos. O dirigente também destacou a importância da individualidade e das convicções dos integrantes do partido.

Damares Alves, considerada próxima de Michelle, também passou a atuar na tentativa de aproximação entre os dois lados. A senadora afirmou que continuará apoiando a ex-primeira-dama, mas se colocou à disposição para ajudar no diálogo e colaborar com a campanha de Flávio.

Como estratégia para ampliar o apoio feminino, Flávio convidou Damares para uma reunião de trabalho e pediu sugestões de nomes e propostas voltadas às mulheres. Ele também fez um convite público para que Michelle participasse do encontro, mas ainda não recebeu confirmação.

Pessoas próximas a Flávio afirmam que ele tentou contato com Michelle em diferentes momentos, mas que ela teria preferido conversar em outro momento. A assessoria da ex-primeira-dama não se manifestou sobre essas tentativas.

Enquanto isso, Flávio publicou mensagens destacando a importância da participação feminina em sua pré-campanha. Já Eduardo Bolsonaro (PL) manteve críticas à madrasta e compartilhou conteúdos contrários à postura de Michelle.

A disputa interna ocorre em um cenário de preparação para as eleições presidenciais. Pesquisa Genial/Quaest divulgada recentemente aponta diferença entre os principais nomes avaliados no primeiro turno, com desempenho diferente entre homens e mulheres.

Com informações da Folha de São Paulo