Banco Master pagou R$ 102 milhões a empresa investigada por lavagem de dinheiro e postos de gasolina no RJ

Pagamentos foram classificados pela instituição como prestação de serviços. As investigações sobre a Metanoein se inserem na Operação Carbono Oculto.

Foto:Rovena Rosa/Agência Brasil

O Banco Master transferiu R$ 102 milhões entre 2023 e 2025 para a Metanoein Participações e Consultoria Ltda, empresa hoje investigada por lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa no Rio de Janeiro. Os pagamentos foram classificados pela instituição como prestação de serviços. A informação é da Folha de São Paulo.

A sócia-administradora da Metanoein, Rose Evelyn Machado Coité, é apontada pelo Ministério Público Federal como dona de uma rede de postos de gasolina operada por meio de laranjas. Não há nenhum posto registrado em seu nome nem no de seus filhos, também citados como reais proprietários dos estabelecimentos.

A 8ª Vara Federal Criminal do Rio determinou o impedimento de transferência de valores ligados à empresa. O MPF pediu o sequestro de contas e aplicações financeiras de Rose Evelyn e seus filhos, e a investigação envolve 46 empresas ao total.

A Metanoein divide endereço com a Mídias Promotora, outra empresa que recebeu R$ 126,6 milhões do Master e foi alvo de busca e apreensão em investigações sobre o Rioprevidência. As duas firmas também são sócias de Sociedades em Conta de Participação fundadas no mesmo dia, em 28 de julho de 2021.

A estrutura de SCP permite a existência de sócios ocultos, sem registro nos dados oficiais. Ambas as empresas estão entre as que receberam os maiores volumes de recursos do Master, conforme dados enviados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado.

As investigações sobre a Metanoein se inserem na Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto do ano passado para apurar a infiltração do crime organizado no setor de combustíveis e no sistema financeiro. A ordem judicial contra a empresa foi registrada na junta comercial em 7 de maio, um dia após a Operação Centelha mirar esquema de lavagem ligado ao jogo do bicho no Rio.

Rose Evelyn não respondeu aos contatos da reportagem, e a assessoria de Vorcaro informou que a defesa não comentará o tema. A Polícia Federal não confirmou se a família foi alvo da Operação Centelha.