Mercado eleva previsão da inflação para 2026 pela 13ª semana seguida e vê Selic mais alta

Foto: Raphael Ribeiro/BCB

As expectativas do mercado financeiro para a inflação brasileira em 2026 voltaram a piorar. Segundo o Relatório Focus divulgado pelo Banco Central, a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou de 5,09% para 5,11%, registrando a 13ª alta semanal consecutiva e ampliando a distância em relação ao teto da meta oficial de inflação.

O movimento ocorre em meio ao aumento das incertezas no cenário internacional, especialmente após a escalada das tensões no Oriente Médio, que tem pressionado os preços do petróleo e alimentado preocupações sobre novos impactos inflacionários.

Entre as estimativas mais recentes, atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a percepção é ainda mais pessimista. Nesse recorte, a mediana das projeções para o IPCA de 2026 subiu de 5,09% para 5,17%.

As expectativas para os anos seguintes também apresentaram ajustes. A projeção para a inflação de 2027 avançou de 4,02% para 4,03%, enquanto a estimativa para 2028 recuou ligeiramente de 3,66% para 3,65%. Já a previsão para 2029 permaneceu estável em 3,50%.

As projeções continuam acima das estimativas mais recentes do Banco Central. Após a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), a autoridade monetária passou a prever inflação de 4,6% em 2026 e de 3,5% em 2027.

Desde o início de 2025, o sistema de metas de inflação opera em modelo contínuo. O centro da meta permanece em 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Caso o índice fique fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que a meta foi descumprida.

Mercado também eleva expectativa para os juros

A deterioração das expectativas para os preços também levou o mercado a revisar para cima as projeções para a taxa básica de juros.

A mediana das estimativas para a Selic ao final de 2026 passou de 13,25% para 13,50%. Há um mês, a previsão era de 13,00%. Entre as projeções mais recentes, atualizadas na última semana, a expectativa também avançou para 13,50%.

Para 2027, a projeção do mercado subiu de 11,25% para 11,50%. No grupo de estimativas mais atualizadas, a mediana chegou a 11,75%.

O ajuste ocorre mesmo após o Banco Central ter iniciado o ciclo de flexibilização monetária em 2026. Nas duas primeiras reuniões do ano, o Copom promoveu cortes de 0,25 ponto percentual, reduzindo a Selic para 14,50% ao ano.

Apesar disso, a autoridade monetária tem sinalizado cautela diante do ambiente internacional. Na ata da última reunião, o comitê destacou que a intensidade e a duração dos próximos cortes dependerão da evolução do cenário externo, especialmente dos impactos econômicos provocados pelos conflitos geopolíticos e pela volatilidade dos preços das commodities.

Para os anos mais longos, as projeções permaneceram inalteradas. O mercado segue estimando uma Selic de 10,00% ao final de 2028 e também de 2029.